Projeto leva autoestima para pessoas gordas e discute preconceito

Projeto incentiva que mulheres gordas não tenham vergonha do próprio corpo. Foto: Divulgação/Paulo Arcanjo

“Minha dica é para que cada pessoa gorda se ame, descubra a pessoa incrível e maravilhosa que é e que seja feliz. Cuidar da saúde é um dever de todo e qualquer corpo. A pessoa tem que ser feliz seja ela magra ou gorda”. É com o recado que a modelo Adriana Santos incentiva a presença de pessoas gordas nas praias durante o verão.

Adriana é coordenadora do movimento Vai Ter Gorda, projeto que tem o objetivo de discutir a gordofobia de forma interseccional e elevar a autoestima de pessoas que estão acima do peso. Segundo ela, tudo começou em janeiro de 2016, quando cerca de 20 mulheres se reuniram na praia para protestar contra o preconceito.

De lá para cá, o projeto só aumentou e conta, hoje, com coordenações em vários Estados do Brasil e até internacionalmente. “Atingimos, em nossas atividades e nas redes virtuais, mais de sete mil pessoas”, diz a modelo.

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Segundo ela, é preciso que a sociedade enxergue atitudes e casos de preconceito contra pessoas gordas. “Sofremos preconceito em situações negativas e somos desvalorizadas. Nós somos vistos como preguiçosos, doentes, comilões, fedorentos e chegamos a causar asco para algumas pessoas”, relata.

Porém, o movimento do qual faz parte tem a intenção de mudar esse tipo de preconceito de uma vez por todas. Com ações dentro e fora das redes sociais, o projeto quer mostrar que as pessoas gordas podem e devem estar em todos os espaços da sociedade, inclusive na praia e na piscina durante o verão.

Modelo Adriana Santos é coordenadora do movimento. Foto: Divulgação/Paulo Arcanjo

“Nosso principal objetivo é elevar a autoestima dessas pessoas por meio da valorização e exaltação de seus corpos. Queremos incentivar outros cidadãos a se amarem como são, a se valorizarem, a exigirem seus direitos de pessoas humanas. Também queremos sugerir mais políticas públicas no que se refere à saúde, acessibilidade e ao respeito da pessoa humana”, afirma a coordenadora.

No entanto, Adriana faz um alerta ao público: “Não incentivamos que as pessoas fiquem gordas ou engordem. Apenas queremos que a sociedade nos respeite como somos. Porém, no momento, ainda não contamos com patrocínios de nenhuma empresa ou órgão público”.

“O movimento está fazendo ações com a sociedade e o poder público para fazer atividades e ações de valorização e inclusão da pessoa gorda em diversos espaços e leis. Para que elas atendam a necessidade do público gordo”, explica a modelo.

Grupo quer fazer com que pessoas gordas se amem mais. Foto: Divulgação/Paulo Arcanjo

Segundo ela, o grupo já alcançou um número bastante significativo de pessoas. “Antes, elas não tinham coragem de lutar contra a gordofobia por ser um tema pouco explorado pela mídia, pelas autoridades públicas e alguns estudiosos como sociólogos e antropólogos”, afirma Adriana.

No entanto, o projeto acredita que existe um espaço para falar sobre o tema na nossa sociedade atual. “O movimento está sempre fazendo diferentes ações. Sempre divulgamos tudo em nossas redes sociais para o público poder participar e conhecer nosso trabalho pessoalmente. É fantástico ouvir cada história de vida, experiência e superação”, constata.