Como ter um primeiro encontro seguro (e com sexo!) na pandemia

Marcela De Mingo
·5 minuto de leitura
Couple relaxing on bed, kissing
Couple relaxing on bed, kissing

O aumento no download dos aplicativos de encontros, como o Tinder, durante este período de pandemia, só nos provam uma coisa: no fundo, ninguém quer ficar sozinho. Mas, verdade seja dita, quem se sente 100% seguro para não só conversar com alguém online, mas levar o encontro para o offline, hoje em dia? Por mais que a situação pareça estar sob controle, as chances de contágio e transmissão do novo coronavírus são grandes. Como ter um primeiro encontro seguro nesse contexto? E, mais do que isso, o que fazer se o desejo de terminar a noite no motel for grande?

Baixe o app do Yahoo Mail em menos de 1 minuto e receba todos os seus e-mails em um só lugar

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Google News

Siga o Yahoo Vida e Estilo no Instagram, Facebook e Twitter

Chega uma hora que o flerte por WhatsApp cansa, e você fica sem saber o que fazer - afinal, ninguém pensou que um dia precisaria aprender como ter um encontro no meio de uma pandemia. Por isso, vale a pena considerar questões muito importantes:

1.Seja exigente

Se, antes, sair com alguém que você conhecia online era super normal, hoje em dia o ideal é ter um pouco mais de noção de quem você está considerando ver no mundo real.

"Antes de ter contato sexual com alguém que não é do seu convívio pessoal neste período de pandemia, é importante que saibamos as condições prévias de saúde desta pessoa. Sabemos que mesmo assintomáticos terão baixa possibilidade de transmissão para outros contactantes, mas fica impossível detectar se há mesmo possibilidade de contágio quando a pessoa aparenta saúde", explica a ginecologista e obstetra Dra. Ana Carolina Lúcio Pereira.

Leia também

Ou seja, se a transa for acontecer que seja, primeiro, com alguém que você já tem um mínimo de conhecimento e, principalmente, com quem conversou sobre o estado de saúde - parece loucura, mas estamos em um momento da história em que essa conversa é essencial.

"O ideal será contato íntimo seguro e consciente entre o casal", diz a médica. "Há que entenderem sobre transmissão de infecções genitais, talvez mais problemáticas que o corona neste momento. O vírus nos traz uma preocupação que sempre existiu, porém, pouco ressaltada: contágio por vírus e bactérias que podem comprometer a saúde por toda a vida".

2.Faça perguntas

Esse passo é importante porque coloca você de cara com um ponto essencial em qualquer relacionamento: consentimento. Sinta-se livre para perguntar sobre o seu parceiro, quem ele tem encontrado nas últimas semanas, se tem usado máscara ao sair de casa e se tem participado de encontros casuais com amigos, festas, ou até mesmo ido a bares e restaurantes.

Detalhes como esses são importantes porque, se você não sentir segurança no comportamento do outro, pode evitar o encontro antes que ele aconteça. Isso significa que você, também, precisa estar pronto para responder perguntas sobre o assunto e ser transparente sobre o que tem feito.

A transparência é essencial e importante em qualquer relacionamento, ainda mais quando se fala de doenças transmissíveis. Se o outro, por exemplo, está contaminado com COVID-19 e não abre o jogo, ele tira a oportunidade de consentimento da outra parte. É mais do que só pedir o resultado de exames.

"Pode ocorrer de todas as sorologias detectadas no parceiro serem aparentemente negativas e esta pessoa estar na janela imunológica, período que o corpo não demonstra a doença. Por isso, nem só porque os exames estão sem alterações podemos classificar a pessoa sã", continua a Dra. Ana. "O envolvimento deve ser bem mais de cumplicidade e conhecimento, entendendo que os riscos devem ser mínimos para saúde de ambos parceiros."

3.Diga o que você quer - mesmo

Essa vai ser uma transa de uma noite só? É um primeiro encontro que pode levar a outros? Você está buscando começar um relacionamento ou só resolver um tesão momentâneo? Aliás, você mora com mais alguém que precisa ser notificado sobre isso? Mais uma vez a comunicação é essencial para garantir que tanto você, quanto a outra pessoa, se sinta absolutamente confortável com o que está acontecendo e, se acontecer de alguém carregar o vírus, não transformar essa conexão em mais uma corrente longa de transmissão da doença.

Essa conversa garante que vocês estão de acordo em todos os níveis e que estão conscientes dos riscos. Dessa forma, a decisão final de encontrar ou não, transar ou não, é feita com muito mais tranquilidade e consciência.

4.Se for o caso, espere para transar

Segundo a médica, o mais importante é evitar o sexo desprotegido ou envolvimento íntimo sem conhecer o histórico de saúde da outra pessoa. "O ideal é que haja envolvimento sexual apenas após longo período de relacionamento e integração prévia", explica. "Infelizmente, as pessoas se envolvem com objetivo único de prazer momentâneo, deixam de seguir conceitos de segurança sexual e se expõem a infecções genitais e de saúde de forma irresponsável."

Isso significa que talvez essa seja a oportunidade perfeita para considerar não só a questão do coronavírus, mas da possibilidade de transmissão de outras infecções sexualmente transmissíveis e, até mesmo, de uma gravidez indesejada. Por mais que transar com alguém seja incrível, o momento pede mais consciência e calma na tomada de decisões - e isso pode ser mais positivo do que se imagina.

5.Tenha um plano

Outro ponto importante é: se o encontro vai mesmo acontecer, as precauções devem ir além da máscara e do álcool em gel. Se você pretende receber a pessoa na sua casa, lave e troque os lençóis, higienize superfícies e quaisquer acessórios que vocês possam usar (como um vibrador).

Tenha também um plano pós-encontro: ficar atento a possíveis sinais de mal-estar físico, evitar sair e encontrar pessoas além do seu convívio de rotina e, se possível, fazer um teste de COVID-19. A qualquer alteração física ou positividade do exame, é essencial que a outra pessoa seja notificada. E nem é preciso lembrar que esses cuidados devem ser uma prática rotineira, principalmente se o sexo for desprotegido ou se houver troca acidental de fluídos sem conhecimento prévio do estado de saúde dos envolvidos.