'A Primeira Noite de Crime' estreia para mostrar como história da franquia de terror começou

(Imagem: divulgação Universal)

Como passamos do status atual de discursos de ódio inflamados para a legalização do assassinato em massa puro e simples? A questão que sempre foi o pano de fundo da franquia prometia ser respondida em ‘A Primeira Noite de Crime’, que mostra eventos anteriores aos mostrados nos outros filmes ‘Uma Noite de Crime’ (2013), ‘Uma Noite de Crime: Anarquia’ (2014) e ’12 Horas Para Sobreviver: O Ano da Eleição’ (2016).

A trama começa com a chegada ao poder de um novo partido político, disposto a acabar com a polarização entre Democratas e Republicanos nos EUA. Como é de praxe no discurso de quem se apresenta como solução ao um status quo problemático, a promessa é de “colocar ordem na casa”, custe o que custar. É assim que surge a proposta dos Novos Fundadores da América: um experimento de uma noite em que todo tipo de crime é permitido, com supostos efeitos terapêuticos, para que no resto do ano a revolta da população fique sob controle e os índices de violência diminuam.

A experiência ocorre num bairro de periferia, e é vista por parte da população como a legalização do extermínio da parcela mais pobre da sociedade, que não tem meios de se defender da carnificina. No meio deste verdadeiro salve-se quem puder estão os protagonistas do filme, como uma ativista (Lex Scott Davis), um traficante de bom coração (Y’lan Noel) e um jovem (Y’lan Noel).

Os temas de ‘A Primeira Noite de Crime’ poderiam render um conteúdo ainda mais explosivo, mas fica nítido que seus diretors não têm estofo para ir além da superfície em sua crítica social. Por mais que o filme coloque uma organização como vilã e evite individualizar responsabilidades, há pouco contexto do que fez as pessoas acreditarem que a criação da tal noite do crime poderia mesmo ser uma solução.

Assim, ao deixar de lado algo que justificasse sua produção, o longa acaba tendo pouco a acrescentar em relação aos antecessores. Uma das escassas novidades é o uso de lente de contatos que servem de câmeras para os participantes registrarem suas atrocidades, o que dá aos personagens um aspecto de zumbis. Recursos como este reforçam a sensação de terror, mas que ainda é menor do que quando nos damos conta que uma situação assim não é tão distante da realidade.