Preta Gil lamenta morte de Gal Costa: "Foi a primeira pessoa que me pegou no colo"

Gal Costa e Preta Gil no
Gal Costa e Preta Gil no "Conversa com Bial". (Foto: Mariana Veil/Globo)

A cantora Preta Gil lamentou a morte da madrinha, Gal Costa, que morreu na manhã desta quarta-feira (9), aos 77 anos, em São Paulo. A filha de Gilberto Gil relembrou sua conexão com a artista, um dos grandes nomes da música brasileira.

Em entrevista a “Globo News”, Preta afirmou que ter crescido com Gal em sua vida foi “um dos maiores presentes que poderia ter”. “Hoje eu estava vendo um vídeo dela dizendo que foi a primeira pessoa que me pegou no colo, depois da minha mãe. Ela contando que se emocionou”, disse a cantora.

“Sempre senti a vida inteira ela como essa grande mãe, grande colo, inspiração. Todas as minhas memórias afetivas, desde que eu me entendo por gente, passam pela nossa relação, relação afetiva, pessoal, como afilhada, eu e Moreno tivemos esse privilégio”, afirmou Preta.

“Grande influência na minha vida profissional, mas antes de tudo vem a mãe, a madrinha Gal, que era essa doçura. Ela foi uma madrinha muito presente, muito potente, muito vital para que eu também fosse a mulher que sou hoje”, completou ela.

A artista contou que apesar da grande influência musical, por muito tempo sentiu medo de cantar por causa da magnitude de Gal e, por isso, só começou a carreira aos 28 anos. “Me deu força para ser quem eu sou e ela verbalizou isso algumas vezes na vida para mim, de eu acreditar em mim, de ser quem eu sou, de não temer, ter coragem”, explicou. “Ela sempre pontuou minha existência com esse tipo de apoio, com esse tipo de incentivo”.

Quem foi Gal Costa?

Nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos em Salvador, na Bahia, em 1945, Gal Costa sempre foi incentivada pela mãe a seguir carreira na música. Já o pai, morto em sua adolescência, foi uma figura ausente.

No começo da vida adulta, ela trabalhou como balconista de uma loja de discos na capital baiana, a Roni Discos, uma das principais da cidade. No início dos anos 1960, foi apresentada a Caetano Veloso, encontro a partir do qual foi criado um vínculo pessoal a artístico que perduraria até sua morte.

Gal foi uma revolução das vozes e dos costumes na música brasileira desde seu surgimento na cena nacional, nessa mesma década

Gal Costa no Jazzfestival em Montreux, Canadá, em 1980 (Foto de Donald Stampfli/RDB/ullstein bild via Getty Images)
Gal Costa no Jazzfestival em Montreux, Canadá, em 1980 (Foto de Donald Stampfli/RDB/ullstein bild via Getty Images)

Aproximou-se ainda adolescente aos também baianos Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, com quem integraria o grupo conhecido como Doces Bárbaros, responsável mais tarde por um disco definidor da década de 1970.

Tinha ainda pouco mais de 20 anos quando participou do álbum "Tropicália ou Panis et Circencis", pedra fundamental do movimento tropicalista. Logo depois, em 1971, fez um dos espetáculos de maior repercussão da história da MPB, "Fa-Tal", que viraria também um álbum cultuado.

Em 1977, o LP "Caras e bocas", que incluiu a canção "Tigresa", do cantor Caetano Veloso, marcou sua carreira pelas excelentes críticas. Em 1980, ganhou seu terceiro Disco de Ouro, com o LP "Aquarela do Brasil", no qual gravou somente músicas de Ary Barroso.

A partir da segunda metade dos anos 1990, Gal Costa passou a reler suas antigas gravações e sua voz foi se tornando cada vez mais popular por canções como "Modinha para Gabriela", sucesso estrondoso de Dorival Caymmi que abria a novela da Globo inspirada em Jorge Amado, e por hits reunidos no álbum "Água Viva", de 1978, como "Folhetim", de Chico Buarque, e "Paula e Bebeto", de Milton Nascimento e Caetano.

Gal Costa se apresentando na Suíça, em 1996 (Foto de Lionel FLUSIN/Gamma-Rapho via Getty Images)
Gal Costa se apresentando na Suíça, em 1996 (Foto de Lionel FLUSIN/Gamma-Rapho via Getty Images)

Foi nesta fase que a cantora se incorporou mais ao mainstream das grandes redes e rádios, começando a se descolar da imagem de ícone da subversão tropicalista. A parceria com Caetano nunca esmoreceu, mas Gal passou a tirar seus hits de compositores de correntes diversas, como Chico — "A História de Lily Braun", "Futuros Amantes"— , Djavan, de "Azul" e "Nuvem Negra", e Moraes Moreira, de "Festa do Interior".

Nos últimos anos, a cantora quebrou um jejum que usara para se dedicar à família para lançar álbuns elogiados como "Recanto", de 2012, a homenagem a Lupicínio Rodrigues, uma de suas grandes influências, em 2014, e "Estratosférica", de 2016.

Mais recentemente ela vinha se unindo a vozes em ascensão como maneira de redescobrir sua música e prestar homenagem às novas gerações. Gravou o sucesso "Cuidando de Longe" com a sertaneja Marília Mendonça, morta há um ano, e o álbum "Nenhuma Dor", em que cantava alguns dos maiores sucessos de sua vida ao lado de nomes com Tim Bernardes, Seu Jorge, Criolo e Jorge Drexler.

Com informações das agências Folhapress, O Globo e BBC Brasil