Preta Gil sobre haters: “São pessoas frustradas, gosto de expor, dou print e posto”

Preta Gil. Foto: divulgação/Bruna Castanheira

Por Leandro Lel Lima

Inspiração para milhares de brasileiras por representar mulheres gordas, Preta Gil, 45, é uma das estrelas da nova campanha da marca Loungerie. Enquanto a maioria dos editoriais e ensaios sensuais passam pelo famoso Photoshop, com ela, a história é outra: em seus contratos, a cantora exige que as marcas mostrem como ela é de verdade, com o mínimo de retoques. E ela não se importa com a opinião dos haters.

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“É exigência número um. Já passei por todas as fases, já fiz campanha onde me retocaram contra a minha vontade ou tive que me enquadrar em um padrão de publicidade que existia. Hoje a sociedade vive um momento muito lindo de libertação. É muito simbólico uma marca fazer uma campanha como essa e ter uma mulher como eu real, com as estrias, as celulites, as linhas de expressão da minha idade aparecendo”, afirma.

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O empoderamento e a forma franca de levar a vida tem seu preço. E, com o surgimento das redes sociais, todo mundo tem algo a dizer. “Cada dia respondo menos. Comecei a entender que aquelas pessoas que criticam são frustradas, infelizes, e elas descontam em mim ao apontar algo que elas consideram feio em mim. Se eu pudesse, dava colo pra essas pessoas, mas muitas delas ainda são muito raivosas, e eu entendo. Porque a sociedade e a indústria formaram isso, e eu sei, porque não foi fácil pra mim me libertar. Tive altos e baixos e sempre me coloco na posição de resignação, de compaixão, de sororidade, de empatia. Mas se alguém passa do limite, é difícil responder, eu gosto mesmo é de expor. Dou um print e posto no Stories”, diz.

Ser uma das estrelas da campanha é motivo de orgulho para Preta. Segundo ela, a luta por direitos e representatividade lhe dá mais oportunidades de mostrar quem realmente ela é. “Anos atrás, se eu falasse que faria uma campanha de lingerie, as pessoas iam rir. Como riram muito a minha vida inteira, desde que me entendo por gente, da minha carreira artística, por 17 anos. Hoje é possível. A maior mensagem de todas é essa, estou ali representando milhares de mulheres brasileiras, que como eu, têm o corpo real. Não são malhadas ou não têm um corpo escultural, têm o peito caído porque deram de mamar para os seus filhos. Meu peito é caído sim, sou uma avó de 45 anos que estou aqui estampada em uma loja. Isso é muito revolucionário”, analisa a avó da pequena Sol, 3.

Preta afirma que sentir-se sexy é uma questão de momento, e isso não depende de “ter um corpo incrível” ou usar lingerie. Acostumada a debater com seus fãs sobre empoderamento e aceitação, ela comenta o fato de ser uma inspiração também para as amigas famosas. “Eu acredito que sim, do mesmo jeito que elas me inspiram. O caráter da gente é que inspira umas as outras e a forma física da gente é só uma consequência de quem a gente é”, filosofa.

Na hora de seduzir o marido, o personal trainer Rodrigo Godoy, 30, a artista garante que está nas mãos dela todo o poder da conquista. “A sedução não está na lingerie. Está na pele, no olhar, na inteligência, na nossa capacidade de emanar amor. A lingerie é um aliado da mulher. Você pode sensualizar de camisola, de camisa velha rasgada... O mais importante está na atitude”, ensina.

Não é por isso que a cantora dispensa o acessório. Para Preta, a lingerie virou peça de roupa até para ir aos eventos. “Não colocamos mais ela embaixo, queremos que seja a roupa. A gente vive historicamente lutas diárias pela nossa identidade, e a lingerie hoje tende a ser uma peça tão democrática e tão popular, que pra mim é um símbolo de conquistas de nós, mulheres. Só de pensar que a gente já queimou, anos atrás, sutiã, para nos libertar! Acho que o mais legal é que tudo seja possível, e que a liberdade seja o nosso guia, e quem não quer usar lingerie, também tem esse direito. E é bonito e a gente tem que respeitar”, afirma.