Presidente do Einstein vê 2ª onda no Brasil e critica plano de vacinação: 'Grupo prioritário devia ser outro'

Redação Notícias
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Brazilian Doctor Sidney Klajner, President of the Albert Einstein Israelite Hospital, speaks during an interview with AFP, in Sao Paulo, Brazil, on November 16, 2020. - Brazil, the second country in the world with the most deaths from coronavirus, is registering an increase in hospitalizations that raises fears of a second wave of the pandemic like the one that is hitting Europe and the United States. (Photo by NELSON ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
O médico Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, fala durante entrevista à AFP, em São Paulo (Foto: Nelson Almeida/AFP via Getty Images)

O cirurgião Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein, disse acreditar que o Brasil está enfrentando uma 2ª onda de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Ao jornal O Globo, ele afirmou que viu um aumento de internações no local onde trabalha e está preocupado com o planejamento do país para a vacinação.

Sidney explicou que a 2ª onda no Brasil é diferente da Europa, já que nosso país nunca conseguiu controlar totalmente a Covid-19 — ou seja, não saiu sequer da primeira onda. No entanto, o crescimento de internações leva a crer, segundo ele, que o país terá um novo pico da pandemia.

"Com a chegada do verão europeu, a população voltou a fazer viagens, ir às praias, restaurantes, e aí veio outro pico e a necessidade de alguns governos implementarem um novo lockdown. Aqui, não houve um pico muito agudo, porque as medidas de isolamento fizeram com que se achatasse esse pico. No Brasil, porém, nunca deixou de existir um platô de contaminação e mortalidade, como houve na Europa", explicou Sidney.

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Sidney ainda criticou as primeiras informações divulgadas sobre o plano de vacinação do Brasil. Ele sugeriu que o grupo prioritário deveria ser outro — segundo o governo, a vacinação vai começar pelos idosos com mais de 75 anos, profissionais de saúde e indígenas. A estratégia ainda não está pronta.

"Essa discussão tem que ser levada a uma profundidade maior. Grande parte da mortalidade não está nesses idosos acima de 75 anos e sim na população que sai mais de casa e se expõe, entre 60 e 75 anos. A mortalidade é maior na população mais ativa", apontou Sidney.

O médico não acredita que a vacina tem ser obrigatória, pois entende que pelo menos 70% da população brasileira vai querer tomá-la. Mas ele alerta para os riscos de politizar a vacina e, com isso, diminuir a quantidade da população imunizada.

"No momento em que existe a politização de uma ou outra vacina, corremos o risco do apoiador desta ou daquela liderança de tomar o imunizante que ela apoia. O risco é deixar de tomar a vacina por uma ideologia e não por uma questão sanitária. Em período de pandemia, toda vez que colocamos a nossa vida em risco, colocamos a do outro também", alertou Sidney.

Internações

O presidente do Albert Eistein ainda deu detalhes sobre as internações pela doença no hospital de elite na capital paulista, dizendo que há “106 pacientes confirmados com a Covid-19”.

“O maior pico da doença foi em abril, quando cerca de 150 leitos do hospital chegaram a ser ocupados por casos de covid-19, sendo muitos em estado bem grave, até porque era uma doença que carecia de conhecimento maior por parte dos médicos. Depois de maio, assistimos uma queda desse pico e chegamos a um platô. Por quatro meses, o hospital ficou com cerca de 50 leitos sempre ocupados com pacientes com covid. No último mês, vimos uma ascensão e o número de internações dobrou. Hoje estamos com 106 pacientes confirmados com covid-19, dos quais entre 50 estão na UTI e na UTI semi-intensiva", revelou.