Presidente da Palmares diz que vai processar Martinho da Vila por racismo

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***ARQUIVO***BRASILIA, DF,  06.05.2020 - O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, chega ao Palácio do Planalto, em Brasília, para almoço com o presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, 06.05.2020 - O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, chega ao Palácio do Planalto, em Brasília, para almoço com o presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, 56, afirmou pelas redes sociais que entrará com uma ação contra o cantor Martinho da Vila, 83, pedindo danos morais, após o sambista ter tecido críticas a ele durante entrevista ao programa Roda Viva, na última segunda (16).

Na ocasião, Martinho criticou os rumos da fundação, que teria sido "criada para tratar dos assuntos da cultura negra", mas que agora é comandada por "Camargo, bolsonarista radical". "Ele é um preto de alma branca, como se diz", continuou. "No duro, ele gostaria de ser branco. Ele acha que ele é branco. Ele se sente branco. E 'tem que acabar com essas coisas todas de preto'".

Camargo afirma que Martinho feriu sua honra e, ao exibir o trecho da petição com que pretende acionae a Justiça, ele destaca uma suposta frase do ator Morgan Freeman, na qual o artista descartaria a importância de um consciência negra -ou branca, ou amarela- em favor de uma consciência humana capaz de acabar com o racismo.

"Na epígrafe da ação (sendo finalizada), o ensinamento de Morgan Freeman que pretos racistas da esquerda precisam aprender", diz Camargo no post.

A frase, que já foi postada por Camargo em outras ocasiões nas redes sociais e costuma vir à tona nos Dia da Consciência Negra em perfis de direita, porém, não foi dita exatamente com essas palavras por Freeman. A declaração do ator remete a uma entrevista que ele concedeu em 2006 a Mike Wallace, no 60 Minutos, da CBS.

Questionado pelo jornalista sobre o Mês da História Negra -que acontece em outubro nos Estados Unidos--, o ator classificou a comemoração como "ridícula", questionando sua restrição a um mês. "A história negra é a história americana", disse. Ele diz, então, que imagina o fim do racismo atrelado ao fim de apontamentos sobre o tema, como a diferenciação entre homens negros e brancos. "Não se fala 'olha, aquele homem branco chamado Mike Wallace!'".

Na postagem, Camargo ainda afirma que a ação indenizatória deve ser protocolada nesta quarta (18) na Justiça cível e que ingressará também com outra ação, na esfera criminal, ainda nesta semana, contra Martinho pelo que chama de crime de racismo.

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