Presidente da Fundação Palmares questiona cor de Kamala Harris, vice-presidente dos EUA

João Conrado Kneipp
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“A laicidade deste país está comprometida”, diz Mãe Baiana sobre a permanência do atual presidente no órgão de promoção à cultura negra; ialorixá denunciou o jornalista em junho após ofensas em áudio divulgado pela imprensa. Foto: Sérgio Lima
Camargo usou uma foto de si mesmo para comparar a diferença entre os tons de pele dele e de Kamala Harris. (Foto: Sérgio Lima)

Em uma das primeiras manifestações de integrantes do governo Jair Bolsonaro sobre a eleição nos Estados Unidos, Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, colocou em dúvida se a vice-presidente eleita, Kamala Harris, seria negra.

Em uma postagem feita no Twitter, Camargo usou uma fotografia de si mesmo para comparar a diferença entre os tons de pele dele e da vice do presidente eleito Joe Biden. “Eu, negro. Kamala Harris - o que acham?”, escreveu ele.

Até o momento, Bolsonaro tem evitado se manifestar sobre a vitória do democrata em cima de seu aliado e atual mandatário dos EUA, o republicano Donald Trump. Este é o terceiro dia consecutivo em que Bolsonaro ignora publicamente o resultado anunciado das eleições, consolidado na tarde de sábado (7).

A postura do presidente brasileiro contrasta com a de outros líderes mundiais que já parabenizaram o democrata pela eleição. Nesta segunda, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse que Bolsonaro cumprimentará Biden “na hora certa”.

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Auxiliares diretos de Bolsonaro ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmaram que a decisão de felicitar Biden e se manifestar publicamente só deve ser feita após a conclusão de disputas judiciais e recontagens de votos solicitadas pela campanha de Trump.

O republicano ainda não reconheceu a derrota e alega ter sido alvo de uma fraude eleitoral.

HISTÓRICO DE CAMARGO

Nomeado por Bolsonaro em novembro de 2019 para presidir a Fundação Palmares, instituição dedicada à promoção da cultura afro-brasileira e ao enfrentamento do racismo, Camargo já deu diversas declarações polêmicas e chegou a minimizar os efeitos da escravidão no Brasil.

Recentemente, retirou da lista de Personalidades Negras da Fundação Palmares nomes de personalidades e políticos ligados à esquerda, como o da candidata à Prefeitura do Rio e a deputada federal Benedita da Silva (PT), e da ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora Marina Silva (Rede).

Além de negar reiteradamente a ocorrência de racismo estrutural no país, Camargo já defendeu o fim do feriado da Consciência Negra e a extinção do movimento negro.

Em junho, em uma reunião gravada, ele chamou o movimento negro de "escória maldita", disse que Zumbi era um "filho da puta que escravizava pretos".

No ano passado, Camargo disse que a escravidão beneficiou os descendentes dos negros escravizados que vivem no Brasil. "A escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes. Negros do Brasil vivem melhor que os negros da África", afirmou.