Prefeitura e Estado divergem sobre gestão e futuro do Hospital de Campanha

Felipe Grinberg
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Foto: Hermes de Paula em 28-09-2020 / Agência O Globo

RIO — A fila por um leito de UTI na capital cresceu 140% na rede pública do Rio na última semana. Lotado e sem vagas de terapia intensiva, o último hospital de campanha da cidade tem o futuro incerto. A prefeitura e o governo do estado ainda divergem sobre a gestão e o futuro da unidade, que possui capacidade para 500 leitos, mas nunca atingiu sua operação total.

A prefeitura diz oficialmente esperar que o Palácio Guanabara formalize "com urgência, a proposta de cofinanciamento para aquisição de insumos e contratação de Recursos Humanos".

"Importante destacar que a abertura de leitos na rede SUS do município do Rio de Janeiro não é uma responsabilidade única da Prefeitura do Rio, mas uma responsabilidade compartilhada com os governos do Estado e União", diz parte do posicionamento oficial.

Mas, o governo estadual tem outros planos e diz que após saber da desativação de leitos na unidade, "estabeleceu contato para assumir a gestão." No entanto, segundo a nota da secretaria estadual de Saúde, "não houve nenhuma tratativa no sentido de financiamento de insumos e contratação de recursos humanos".

"No entanto, a SES reitera estar pronta para assumir a unidade e reativar os leitos desativados pela Prefeitura no Hospital de Campanha do Riocentro.", diz trecho da nota.

Na capital, o número de internações só faz crescer na rede pública municipal e a pressão sobre os leitos exclusivos para tratamento da Covid-19 segue grande. Nesta sexta-feira, de acordo com a última atualização publicada no fim da manhã, há lotação de 93% (525 internados) nas vagas de UTI da red SUS municipal, que inclui leitos de unidades municipais, estaduais e federais, e de 70% nas enfermarias. São 1.137 pessoas no total.

Na rede SUS da chamada Região Metripolitana 1, que engloba capital e municípios da Baixada Fluminense, há 272 pessoas aguardando transferência para leitos. Deste total, 117 são para UTI Covid. A rede SUS hoje oferece cerca de 564 leitos para os casos mais graves. Com isso, levando em consideração as 525 vagas já ocupadas, é possível afirmar que a demanda de pacientes é maior que a oferta de leitos — excede em pelo menos 33 pacientes. A prefeitura garante que todos que aguardam leitos de UTI estão sendo assistidos em leitos de unidades pré-hospitalares, com estrutura que conta com monitores e respiradores.

Nos leitos disponibilizados pela prefeitura exclusivamente para o tratamento de infectados com o novo coronavírus na capital, há 262 pacientes internados nas 271 vagas de UTI (97% de lotação). Outros 283 estão em enfermarias (45% de ocupação).