Naomi Osaka mostra que ninguém é isento de racismo ou doenças mentais

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TOKYO, JAPAN - JULY 27: Naomi Osaka of Team Japan serves during her Women's Singles Third Round match against Marketa Vondrousova of Team Czech Republic on day four of the Tokyo 2020 Olympic Games at Ariake Tennis Park on July 27, 2021 in Tokyo, Japan. (Photo by Clive Brunskill/Getty Images)
Naomi Osaka nos Jogos Olímpicos de Tóquio (Foto: Getty Images)

Naomi Osaka tem muitos motivos para estar na mídia. Apesar de, na última semana, ter sido eliminada dos Jogos Olímpicos de Tóquio, a tenista de 23 anos ainda segura o título da segunda maior tenista da história. Fora isso, ela, que é filha de imigrantes, foi a primeira japonesa a ganhar um Gram Slam e também a encarregada de acender a famosa Pira Olímpica, um momento estratégico e muito importante das Olimpíadas.

Mas é mais do que isso também. Filha de mãe japonesa e pai haitiano, Naomi mudou para os Estados Unidos com a família quando tinha apenas 3 anos, mas decidiu representar o Japão, oficialmente, durante os famosos jogos. Mais do que isso, ao ser escolhida para acender a Pira, ela também mandou uma mensagem: negra e japonesa, Naomi foi alvo de racismo, principalmente da comunidade asiática, ao longo da sua história.

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Tanto que, nos últimos anos, ela decidiu ser mais vocal, e com razão, sobre questões raciais. Em agosto do ano passado, ela apareceu em uma série de coletivas de imprensa pós-partidas com sete máscaras que traziam os nomes de pessoas negras assassinadas pela polícia norte-americana - uma forma de protesto silencioso no ambiente esportivo e de levar a discussão para um meio conhecidamente elitista. Um movimento parecido, aliás, com aquele feito pelo piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton, que também passou a levar para o pódio os protestos contra o racismo e a violência policial contra a comunidade negra e que, assim como Osaka, foi amplamente criticado pela imprensa especializada.

Saúde mental no esporte

Naomi é, de fato, um nome para se observar de perto por também levantar outra questão importante: a da saúde mental no esporte. Afinal, quem não lembra da imagem do capitão da seleção brasileira, Thiago Silva, às lágrimas no jogo contra o Chile, em 2014? Quem, ali, pensou que "líderes não choram" ou, mais simplesmente, que "homens não choram", provavelmente precisam prestar ainda mais atenção no discurso de Naomi, que diz como atletas sofrem uma pressão que, de fato, influencia na sua saúde mental.

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O choro de Thiago, inclusive, é um exemplo disso, assim como a escolha de Naomi de não participar das coletivas após as partidas do torneio French Open - e, por isso, ela acabou sendo multada no valor de 15 mil dólares, de acordo com o Washington Post.

"Atletas são humanos. O tênis é a nossa profissão privilegiada e é claro que existem os compromissos fora da quadra que coincidem. Mas eu não consigo imaginar outra profissão em que uma presença recorde e consistente (eu perdi uma coletiva de imprensa em sete anos de turnê) seria tão duramente escrutinada", escreveu Naomi para a revista Time.

No Instagram, ela explicou como, desde de 2018, sofre de depressão e ansiedade social. Como uma pessoa introvertida, usar fones de ouvido quando está em público, antes de partidas ou no trânsito de um lugar a outro, ela explica, ajuda a lidar com tudo isso, mas a pressão muitas vezes resultado da profissão tem sido difícil de lidar.

Ainda hoje, falar sobre saúde mental é um tabu - mesmo com mais de 300 milhões de pessoas diagnosticadas com a doença no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. No entanto, abrir espaço para discussões como essas em ambientes tão elitistas - há de se concordar que o tênis e a fórmula 1 não são esportes "populares" - é um feito. Naomi, como ela mesma disse, ainda estará por aqui por muito tempo, nas quadras, quebrando recordes e construindo uma carreira no esporte. Mas, com certeza, também vai continuar trazendo para a mesa conversas importantes que, por algum motivo, são deixadas de lado em nome do "entretenimento" oferecido pelo esporte.

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