Príncipe Harry deve fazer mais ataques à realeza britânica em entrevistas na TV

Duque e duquesa de Sussex, Harry e Meghan, em evento em Nova York

Por Michael Holden

LONDRES (Reuters) - Dias depois que o livro de memórias do príncipe Harry foi acidentalmente colocado à venda precocemente com novas alegações de discórdia e conflito dentro da família real britânica, uma série de entrevistas televisivas com ele começará a ser exibida neste domingo com a perspectiva de causar ainda mais ataques danosos à monarquia.

O livro de Harry "Spare", que começou a ser vendido na Espanha na quinta-feira, cinco dias antes de seu lançamento oficial, narra não apenas detalhes extremamente pessoais, como como ele perdeu a virgindade e usou drogas, mas também revela instâncias privadas mais íntimas de desarmonia familiar.

Seu irmão mais velho, herdeiro do trono, o príncipe William, o agrediu em uma briga, e os dois irmãos imploraram a seu pai, o rei Charles, que não se casasse com sua segunda esposa, Camilla, agora a rainha consorte, diz o livro.

Comentaristas dizem que isso mergulhou a monarquia em sua maior crise desde os dias da telenovela real na década de 1990, em torno do fim do casamento de Charles com sua falecida primeira esposa, a princesa Diana, mãe de William e Harry.

Tudo isso acontece apenas quatro meses após o falecimento da rainha Elizabeth e a ascensão de Charles ao trono.

"Então, aqui está Charles tentando se estabelecer como o novo rei e agora Harry arremessa esta granada e tudo está desmoronando ao seu redor", disse a biógrafa real Tina Brown.

Desde que Harry e Meghan deixaram os deveres reais e se mudaram para a Califórnia em 2020, eles têm criticado o tratamento recebido pela realeza e pela instituição do palácio.

Desde a entrevista com Oprah Winfrey em 2021 até a série de documentários em seis partes da Netflix no mês passado e agora o livro de Harry, a mensagem do casal tem sido a mesma: que a realeza e seus assessores não apenas falharam em protegê-los de uma imprensa hostil e às vezes racista, mas vazou ativamente histórias negativas sobre eles.

Até agora, não há comentários sobre o livro vindos do Palácio de Buckingham ou de qualquer pessoa que fale pela família real, postura que tem sido elogiada por grande parte da mídia britânica como um silêncio digno.

William está "ardendo" de raiva, mas não responderá "pelo bem de sua família e do país", disse um amigo que não foi identificado ao Sunday Times.

Neste domingo, os pensamentos públicos de Harry continuarão chegando, com mais três entrevistas na TV preparadas para irem ao ar. Elas haviam sido programadas para serem transmitidas antes do lançamento oficial do livro, na terça-feira, e trechos exibidos antes da hora mostram Harry dizendo que queria contar o seu lado da história.

(Por Michael Holden e Sarah Mills)