Portugueses e espanhóis lotam supermercados e esgotam papel higiênico

Fila de pessoas usando máscaras e comprando papel higiênico em um mercado de Madri, na Espanha - Foto: AP Photo/Paul White

O avanço dos casos do novo coronavírus em Portugal e na Espanha provocou uma verdadeira corrida aos supermercados. Cidadãos dos dois países apressaram-se para estocar comida, água mineral e, principalmente, rolos e mais rolos de papel higiênico.

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Com quase 3.000 doentes confirmados e mais de 80 mortes, os espanhóis já temem uma quarentena generalizada, a exemplo do que acontece agora na Itália. Nos últimos dois dias, de Norte a Sul do país, a população foi às compras.

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Alimentos enlatados, massas e biscoitos desapareceram com rapidez das prateleiras. Em Madri e em outras cidades, mercados tiveram de fechar as portas devido à falta de mercadorias.

Recorrer às compras online também não tem sido uma opção segura os espanhóis. Os sites de várias redes de supermercado colapsaram pela quantidade simultânea de acesso e os estoques de gêneros essenciais também está baixo.

Em Portugal, onde por enquanto há 78 casos confirmados e nenhuma morte por covid-19, a situação nos supermercados é menos dramática, mas já se nota desabastecimento de várias mercadorias, como comidas enlatadas e água mineral.

Os portugueses também estão esgotando os estoques de papel higiênico. Em vários bairros de Lisboa, os rolos desapareceram das prateleiras.

A reportagem visitou, na manhã desta quinta-feira (12), cinco supermercados no bairro de Alcântara. Em todos eles, o produto estava esgotado. Segundo funcionários, diante da escassez do produto, já há quem esteja estocando rolos de papel toalha e pacotes de guardanapo.

Ao se deparar com as prateleiras vazias, a arquiteta portuguesa Joana Freitas, 47, criticou a postura dos compatriotas.

"É uma absoluta falta de civismo. Estas pessoas [que estocam comida e papel higiênico] não pensam no próximo. Também não percebo a razão de comprarem tanta água em garrafa [em Portugal, a água da torneira é potável em todo o país]. Parece que estão à espera do apocalipse", comentou.

As farmácias também tiveram aumento na procura, e muitas delas estão com falta de medicamentos básicos para febre e dor de cabeça.

A APED (Associação Portuguesa de Empresa de Distribuição) confirma o aumento da demanda, mas diz que, por enquanto, a situação está sob controle e sendo monitorada.

No comando da estratégia portuguesa de enfrentamento ao covid-19, a diretora-geral de Saúde, Graça Freitas, pediu moderação.

"Não devemos chegar a este ponto. Quanto mais não seja, que se recorra à horta do amigo. Não açambarquem!", disse, durante audiência no Parlamento.

Praias lotadas preocupam

Enquanto alguns portugueses corriam aos supermercados, outros resolveram aproveitar o calor fora de época na praia.

Com praticamente todas as universidades da região de Lisboa fechadas e várias escolas sem aulas, muitos jovens lotaram as areias da região de Cascais e da Costa da Caparica, na grande Lisboa, contrariando a orientação de evitar aglomerações.

As imagens das praias lisboetas apinhadas de gente correram o mundo e renderam uma série de memes quanto à suposta falta de preocupação lusitana frente aos efeitos do novo coronavírus.

A Câmara Municipal de Cascais (equivalente à Prefeitura) alertou nesta quinta-feira (12) que pode vir a interditar as praias da região caso a situação de saúde pública se deteriore. Por enquanto, já há "equipes desmobilizadoras" tentando convencer os banhistas a voltarem para casa.

Por todo o país, no entanto, eventos seguem sendo cancelados ou adiados. Jogos do campeonato português de futebol acontecerão a portas fechadas.

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***Giuliana Miranda, da Folhapress