Porchat mostra segurança na estreia de seu talk show

Sasha Meneghel e o apresentador no programa de ontem (Reprodução)

Em uma das primeiras colunas que escrevi para o Tela Plena, há dois anos, afirmei que o formato talk show não havia dado muito certo no Brasil. Teve quem achasse a afirmação um absurdo. Na época esse tipo de programa na TV aberta era habitado pelo ‘Programa do Jô’, ‘The Noite com Danilo Gentili’ e o ‘Agora é Tarde’ de Rafinha Bastos – este último “descontinuado” em 2015. Mas parece que a coisa vai engrenar: com os talk shows que pipocaram no último ano na TV a cabo e com os programas de Marcelo Adnet (‘Adnight’, na Globo) e Fábio Porchat (‘Programa do Porchat’, na Record), que estreou na noite de ontem, a palavra concorrência começa a fazer sentido.

Falemos de Porchat. Uma estreia surpreendente em termos de audiência (os primeiros números, ainda não consolidados, apontavam a liderança do programa durante todo o período em que ficou no ar, com um pico de 12 pontos) e notável em termos de qualidade. Houve quem temesse a incapacidade de Porchat em segurar uma atração nesse formato, que exige um mínimo de arrojo na hora das entrevistas (e o fracasso dos talk show/humorísticos do MultiShow muito têm a ver com isso). Contudo, o apresentador-humorista se mostrou à vontade tanto ao seguir o roteiro quanto no momento de improvisar.

Sua estreia contou com dois convidados de peso no que diz respeito a atrair público: Sasha Meneghel e Wesley Safadão – e isso também ajuda a explicar a boa audiência. Sobre Sasha, o grande mérito do programa foi fazer com que ela abrisse a boca para falar mais do que duas palavras. De cativante ou surpreendente na conversa, nada que nos fizesse exclamar “meu Deus, não acredito! ”. Porchat levou Sasha para pilotar um fusca, o que foi divertido, mas que poderia ser melhor explorado. Sobre o fato da moça ir ao programa, bem, ela é a filha de Xuxa, que é contratada da Record – se a Sasha não for a um programa da casa, irá aonde?

Já a entrevista de Wesley Safadão teve Porchat ligando para a mãe do cantor e um questionário no qual o entrevistado revelou que envia nudes para a mulher. Não mais do que isso.

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Conta a favor o fato de o programa não se engessar no formato entrevistador-entrevistado ao estilo Jô e apostar em esquetes (justiça seja feita: Gentili já fazia isso em seu programa). Umas coisinhas incômodas: a plateia meio desligada (poderiam arrumar uma galera mais animada) e um merchandising ultrapassado (o Porta dos Fundos já havia inovado neste quesito, mas parece que a TV aberta tem medo de ousadias com o anunciante; tremenda bobagem). No somatório, o talk show de Porchat mostrou ter potencial para ser uma alternativa na madrugada e fazer frente a Jô e Danilo Gentili. Vamos ver como Adnet se sairá.