Por segurança, mulheres oferecem e contratam serviços 'masculinos'

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Por Fabiana Bertagnolli

Segurança, confiança, cuidado e habilidade. São inúmeros os motivos que têm levado muitas mulheres a abrirem suas portas a prestadoras de serviços. Trabalhos que até então eram executados majoritariamente por homens passaram para as mãos de pessoas que acham que lugar de mulher é onde ela deseja estar.

Um vazamento, o chuveiro que dá choque, o quadro que espera solitário ser pregado na parede. Por falta de aptidão ou por não querer um estranho dentro de casa, era comum até pouco tempo que pequenos reparos fossem procrastinados ou deixados de lado. Casos de assédio e de cobranças indevidas também são comuns – toda mulher conhece alguém ou já vivenciou uma experiência desagradável debaixo do seu próprio teto.

Serviços de hidráulica, elétrica, pintura e pequenos reparos formam um nicho de mercado muito atrativo que tem garantido autonomia e o sustento de muitas mulheres. Esse é o caso da técnica em edificações Priscila Vaiciunas, 30 anos, fundadora do Manas à Obra, empresa de manutenção, decoração, reforma e pintura residencial.

“Estava desempregada e buscando oportunidades no mercado, sem sucesso. Comecei a estudar a possibilidade de criar algo em que as mulheres pudessem mostrar sua força, inteligência e capacidade de solucionar problemas domésticos dos quais estamos adaptadas a ver nossos pais, irmãos e cônjuges executar, sem titubear”, conta Priscila.

De mulher para mulher

Embora não tenha um perfil exato de suas clientes, Priscila revela que elas são, em sua maioria, mulheres que se sentem inseguras de receber desconhecidos em casa. “Ser mulher é o fator mais atrativo quando as clientes me procuram pedindo algum serviço. É assustador a quantidade de relatos de clientes que dizem ter medo ou trauma de receber homens em casa”, conta.

Esse é o caso da psicóloga Georgia Nigro Argese, 37 anos, que só contrata mulheres para executar serviços dentro do seu lar. “Ter segurança e tranquilidade de estar sozinha com um estranho foi o primeiro ponto que me fez mudar para o serviço de meninas”, explica. Contudo, as vantagens não param por aí: “percebi que com mulheres tem menos bagunça e sujeira; são mais realistas, não ficam dando jeitinho ou empurrando o que não há necessidade”.

Mas, se entre mulheres a troca de serviços costuma ser amigável e tranquila, o mundo “real” nem sempre lida bem com o protagonismo feminino. “Sofro preconceito, mas não por parte de clientes. Geralmente são vendedores de lojas de materiais, porteiros e zeladores que acham que mulher não entende nada de obra ou manutenção”, desabafa a proprietária do Manas à Obra.

Independentemente de quem for realizar o serviço, o importante é sempre buscar referências. Antes de abrir as portas de sua casa para um ou uma profissional, consulte a opinião de pessoas que já utilizaram o serviço dessa pessoa e evite, assim, uma grande dor de cabeça no futuro.