Por que você deve assistir ‘Narcos’

Wagner Moura como Pablo Escobar na série do Netflix (Foto: divulgação)

Faz uma semana que a série ‘Narcos’ estreou no Netflix. Durante esse período, muito se falou sobre o fato de se ter escolhido um ator brasileiro (Wagner Moura) para interpretar Pablo Escobar, sobre o sotaque de Moura, sobre o ponto de vista escolhido (o de uma agente do DEA, o departamento norte-americano de combate às drogas) e sobre o que os colombianos acharam do seriado. E houve comparações com a série colombiana ‘Pablo Escobar: O Senhor do Tráfico’ (também disponível no Netflix). No geral os comentários são positivos, mas sempre há os que veem defeito em tudo. Um exagero. Vamos por partes.

O sotaque

Gus Fring (Giancarlo Esposito), de ‘Breaking Bad’, é um dos antagonistas mais espetaculares em uma das séries mais cultuadas de todos os tempos. Pois bem, o sotaque castelhano de Esposito era horroroso. Nenhum problema, fosse ele na história um norte-americano tentando falar espanhol. Mas, na trama, Gus era um chileno que havia imigrado para o México.

O péssimo sotaque de Esposito não o impediu de ser indicado para diversos prêmios como ator coadjuvante. Ganhou, inclusive, um prestigioso Critics’ Choice Television Award. Mas eis que um monte de compatriotas de Wagner Moura resolveu implicar com o sotaque dele em ‘Narcos’. Provavelmente os mesmos que pagam pau para Gus e ‘Breaking Bad’.

A escolha de Wagner

Em ‘Narcos’ não é apenas Wagner Moura que é brasileiro. A trilha sonora também é executada pelo ex-Los Hermanos Rodrigo Amarante. Seria motivo suficiente para irritar os colombianos. Mas vamos encarar os fatos: ‘Narcos’ foi concebida para o mercado internacional. Para um americano ou europeu o sotaque de Moura não faz diferença. Brasileiros, colombianos, argentinos – para o primeiro mundo somos todos “cucarachos”. Houve comparações entre o Escobar interpretado por Moura e o interpretado por Andrés Parra em ‘O Senhor do Tráfico’. Aí é questão de gosto: Parra manda muito bem, mas Moura está brilhante.

O ponto de vista

Há um livro intitulado ‘A Lei do Cão’, de autoria de Don Winslow, que narra a saga de um agente do DEA, que passa duas décadas combatendo o narcotráfico mexicano. O agente lembra, e muito, o policial norte-americano de ‘Narcos’. Escolher uma narrativa em off (parece que Padilha é obcecado por off) de um agente norte-americano dá certa dimensão irônica à trama. É também uma forma de marcar diferença com ‘O Senhor do Tráfico’, que poderia ser considerada uma visão “interna” da história.

A recepção

Em meio a essa chiadeira, ‘Narcos’ recebeu uma avaliação de 9,2 (de 10 pontos possíveis) no respeitadíssimo Internet Movie Data Base – IMDB. A série também já tem garantida uma segunda temporada – esse, sim, um critério definitivo de receptividade.

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Sobre as comparações com ‘O Senhor do Tráfico’, pode-se dizer que são descabidas. A série colombiana é uma novela de 113 episódios (adaptada para 74 no mercado internacional) e, por isso mesmo, tem um ritmo completamente diferente. Ela prescinde da agilidade para contar a história de forma mais detalhista. Com 10 episódios, ‘Narcos’ é obrigatoriamente mais ágil. E se não chega a ser uma obra-prima, é altamente recomendável.

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