Gabriel Diniz ganha mais de 1 milhão de seguidores após morte; o que explica essa comoção?

Colaboradores Yahoo Vida e Estilo
(Foto: reprodução/ Instagram @gabrieldiniz)
(Foto: reprodução/ Instagram @gabrieldiniz)

A morte de Gabriel Diniz, vítima de um acidente aéreo em Sergipe aos 28 anos e no auge da carreira musical, causou uma grande comoção, principalmente nas redes sociais. Em menos de 48 horas do anúncio da tragédia, o perfil do cantor do hit ‘Jenifer’ no Instagram ganhou mais de 1 milhão de seguidores. A página passou de 3,5 milhões para 4,7 milhões de seguidores.

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Um dos novos seguidores foi o técnico em informática Fábio Silva, 34, que disse ter sido instigado pela curiosidade. "Assistindo as matérias sobre o acidente, vi que ele havia postado algumas coisas minutos antes da tragédia. E por ser um cara carismático, resolvi ver o que ele postava", conta ele, que não se considerava um fã do artista. "Sabia que ele tinha cantado no Cavaleiros do Forró, mas só fiquei sabendo mais sobre ele depois do hit."

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Mas mesmo não sendo fã de Gabriel Diniz, Fábio diz ter sentido a perda do cantor. "Como na morte do Cristiano Araújo, que era um cara que eu gostava muito pela simplicidade e pelas músicas, choca a idade com que ambos morreram. Eram pessoas do povo, simples, divertidas e que de uma hora para outra partiram."

Comoção social que também respigou na namorada de Diniz. Karoline Calheiros chegou a desativar sua conta no Instagram, mas pouco tempo depois decidiu reativá-la. E o perfil, que não é público, passou de 40 mil para 111 mil seguidores. A psicóloga completou 25 anos no dia anterior a morte do namorado, que estava a caminho de Maceió para visita-la. Os dois estavam juntos há quase três anos.

O mesmo aconteceu após o anúncio da morte da modelo Carol Bittencourt, que morreu afogada aos 37 anos durante um passeio de barco com o marido, Jorge Sestini, no litoral de São Paulo. Antes da tragédia, a modelo tinha 420 mil seguidores. Hoje, esse número subiu para 813 mil.

Mas o que causa tamanha comoção?

Um comportamento que, segundo Luis Martins da Silva, professor e pesquisador de comunicação na UnB (Universidade de Brasília), é motivado pela alta exposição midiática do trágico e do inesperado. “Quanto mais improvável for o acontecimento, mas midiático se torna e, consequentemente, maior a probabilidade da comoção”, explica ele, que também atrela essa repercussão popular à alteração da dimensão do tempo e do espaço no ciberespaço, bem como dos limites de privacidade e intimidade das celebridades.

“A internet favorece a simultaneidade entre fato e repercussão, além de possibilitar a proximidade e até mesmo a falsa sensação de intimidade. Faz, por exemplo, os fãs se sentirem presentes na vida dos ídolos, como se fossem muito próximos – um amigo ou até mesmo um integrante da família”.

Para Rita Khater, professora da Faculdade de Pscicologia da PUC-Campinas, as palavras curiosidade e empatia resumem esse tipo de comoção social. "É um movimento empático do coletivo natural, que quer ser solidário a todos que sofrem com a perda e até homenagear aquele que partiu.”

E a proximidade da tragédia acaba aumentando ainda mais essa comoção, completa Khater. “Claro que as pessoas não desejam nenhuma morte, mas a morte de pessoas mais velhas ou doentes acabam sendo mais compreendidas do que a morte de um jovem, no auge da careira e com muitos sonhos a realizar”, relata a psicóloga. “Existe o senso comum de que é melhor morrer velho, de que é melhor morrer a mãe primeiro que o filho. É um ciclo natural da vida que acaba influenciando os sentimentos.”

Mas, como explica a professora da PUC-Campinas, essas dores, apesar de intensas, são passageiras. "Serão rapidamemte substituídas por uma outra catástrofe.” O grande risco, de acordo com Silva, é quando os fãs chegam a confundir o real com o hiper real, “redramatizando o trágico na vida pessoal, via suicídio ou até na prática de violência absurda”.