Por que 'Resgate' é o primeiro blockbuster de ação da Netflix

Chris Hemsworth em 'Resgate' (Netflix)

Por Thiago Romariz* — Desde que começou a investir pesado em produções originais, a Netflix obteve sucessos tão rapidamente que confundem a cabeça do espectador quanto à idade da companhia. A empresa criada por Reed Hastings tem pouco mais de 20 anos e nem uma década com orçamentos robustos em filmes e séries originais.

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Neste último intervalo, o sucesso das séries é inquestionável. Boa parte delas se tornaram fenômenos em tempo recorde. O mesmo não pode se dizer, porém, dos filmes. Ainda que tenha obtido reconhecimento de premiações e festivais - além da óbvia audiência - faltava à Netflix um blockbuster de sucesso, qualidade e com ar de franquia.

Não falta mais. Resgate, longa de ação que está disponível no serviço desde a última sexta-feira (24), cumpre todos estes requisitos.

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Produzido pelos Irmãos Russo, diretores de Vingadores Guerra Infinita e Ultimato, o filme se propõe a apresentar uma ação hipnótica e visceral. As cenas de luta se encadeiam com perseguições de carro com uma câmera incansável, o que torna a movimentação e a paleta de cores amarelo-rajada componentes de uma alucinação frenética situada na Índia e protagonizada por um mercenário australiano.

A complexidade das cenas de ação, que fazem questão de mostrar os atores lutando e carros colidindo sem computação gráfica, vem dos produtores, mas também do diretor Sam Hargrave, coordenador de dublês de filmes da Marvel. Nada aqui é para soar artificial. A ideia é que o frenesi seja parte da agonia que é estar nos corredores daquele país. E a missão é cumprida com louvor.

A complexidade técnica da fotografia de Resgate é inversamente proporcional à história que ele apresenta. O que não deixa de ser uma virtude também. Tão simples quanto os Rambo ou Comando de Matar, o roteiro aqui é pautado nas grandes sequências de ação e nas pouquíssimas palavras proferidas pelo protagonista e seus companheiros.

Em nenhum momento, porém, o filme supõe que irá além da proposta oferecida desde o início e usa o silêncio de Chris Hemsworth como espaço para criar a personalidade fechada e super calculista de Tyler Rake. O mercenário tem um coração, mas pouco se importa em mostrá-lo ou filosofar sobre. E tudo bem, não precisa, a dose de emoção mostrada é correta - ainda que escorregue no dramalhão final.

Não existe grande novidade nesta aventura e não há problema algum nisso. O filme é uma execução de primeira qualidade de um tipo de ação que se popularizou com John Wick e os últimos Missão: Impossível. A diferença é que Rake não é estiloso como Wick, nem galã como Ethan Hunt. Ele é um bruto com coração, nada mais.

E tal qual fez com os "filmes de arte", quando contratou Scorsese (O Irlandês), Baumbach (História de um Casamento) e Bong (Okja) para ter atenção de premiações, a Netflix buscou no grupo que executou a ação de Vingadores - o maior sucesso do cinema contemporâneo - para construir a sua primeira franquia de filmes de ação. Rake certamente vai voltar.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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