Por que "Noite Passada Em Soho" é um dos melhores suspenses do ano

"Noite Passada no Soho". Foto: Divulgação
"Noite Passada no Soho". Foto: Divulgação

Edgar Wright é um queridinho de Hollywood. Aficcionado por cinema antigo e cultura pop, o ainda jovem diretor tem uma carreira recente, cheia de sucessos de crítica como Baby Driver, Scott Pilgrim e Chumbo Grosso, mas não tão aclamada assim com o público geral. Para este que vos fala, o excesso de maneirismos atrapalha a narrativa peculiar de Wright, que em Noite Passada em Soho parece começa a amadurecer todos os aspectos de sua obra.

O suspense sobre a jovem Eloise, recém chegada em Londres e capturada pela aura elétrica e misteriosa da cidade, transparece a identidade do cineasta, mas nunca se deixa deslumbrar pela estética ou autorreferência. Soho é um filme que depende da narrativa e principalmente da atmosfera para causar a estranheza e confusão desejada, e se Wright pegasse pesado nas reviravoltas ou caprichos visuais, possivelmente ele teria um fim parecido com Baby Driver, belíssimo até o terceiro até esticado e sem acompanhar o padrão de qualidade da história.

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Felizmente, Noite Passada consegue equilibrar tudo que Wright já fez antes e eleva isso sem perder identidade. No entanto, o que talvez faça o filme ser tão bom e um dos melhores do ano é que ele é simplesmente um suspense. O clímax está ali, a atmosfera da casa assombrada, os sonhos confusos, os vilões aterrorizantes, a heroína cativante. Inspirado pela Londres do passado, Wright se torna mais direto e preocupado em simplesmente contar uma história e não só assiná-la em cada quadro.

A trilha minuciosamente escolhida está lá, as sequências de dança com câmeras também, assim como incontáveis easter eggs para cinéfilos de plantão. Pela primeira vez, porém, vemos um capítulo na carreira do jovem diretor em que herói e vilões atuam pela história e não pelo estilo. A audiência é atraída para viver o sonho de Eloise como qualquer mistério sobre assassinos e sonhos delirantes. E no fim das contas, depois de se perder nestes devaneios de uma Londres clichê, mas apaixonante, vemos que Edgar Wright faz o básico, mas é exatamente assim que seu talento se torna mais evidente, brilhando ao fazer o ordinário ser cativante.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.