Por que "Jurassic World 3" e "Obi Wan Kenobi" são a prova de que a preguiça tomou conta de Hollywood

Pedir coesão e narrativa em determinadas histórias hoje é quase um alto padrão, especialmente em blockbusters. (AP Photo/Chris Pizzello))
Pedir coesão e narrativa em determinadas histórias hoje é quase um alto padrão, especialmente em blockbusters. (AP Photo/Chris Pizzello))

Não houve semana mais trágica do que o início de junho no mundo da cultura pop. Não fosse o êxito de "Top Gun: Maverick", a indústria do entretenimento teria sido tomada de assalto pela nostalgia vazia e preguiçosa de dois exemplares do círculo de blockbusters do momento: "Jurassic World: Domínio" e "Obi Wan Kenobi", a série do Disney Plus.

E não é somente pelo motivo de serem derivados de franquias gigantes, algo feito por quase todos os grandes sucessos de hoje em dia, mas sim pela execução que beira ao amadorismo e a despreocupação com qualquer qualidade narrativa para a mídia que foram feitas. Ambos são o exemplo perfeito para que, sem razão, algumas vozes venham dizer em alto e bom som que “o entretenimento não é mais como antigamente”.

Distribuição e quantidade

De fato ele não é, mas não pela qualidade dos produtos, e sim pela distribuição e quantidade deles. "Domínio" e "Kenobi", porém, erram na concepção do que é uma boa história, já que destroem qualquer fagulha de criatividade que um dia existiu em ambas as séries. O primeiro ignora ser uma franquia de dinossauros e faz de gafanhotos vilões, o segundo joga fora a qualidade estética e narrativa de "Star Wars" para virar um videogame ruim sequestro e resgate.

Com o sucesso das duas marcas, que possuem filmes entre as maiores bilheterias da história, é até compreensível o mínimo esforço para máximo de lucro. Numa época em que o cinema precisa de energia e "Star Wars" de consistência, não faz sentido as piores produções destes ganharem vida logo agora. Por outro lado, dificilmente vemos Hollywood não agir de acordo com o que o público exige - será, então, que o público pediu algo ruim assim? Talvez.

Papel da Internet

Não é de hoje que a internet dá voz e manchetes a comentários reacionários e coloca no holofote os fãs que pedem pela “volta às origens” do que quer que seja. Com receio de ser progressista demais ou ousada em narrativa, um segmento de Hollywood parece ter notado que é melhor apostar no vazio e na execução quase calculada de histórias mecânicas - tal qual vemos em games de aventura ou ação como Call of Duty e afins.

Se não existe um acerto quase unânime como "Pantera Negra", "Frozen" ou "Avatar", é melhor se manter na repetição de receitas e, se puder, sem exigir o mínimo de esforço do espectador - e ainda confiando que o que ele quer é “só se divertir e lembrar do passado”. Isso é literalmente o que "Jurassic" e "Kenobi" tentam transmitir. Uma sensação de nostalgia que mais se assemelha com lembranças contadas por alguém que nunca vivenciou aquela época, uma história que joga momentos icônicos na tela para suscitar algum sentimento positivo, mas só reforça como o passado foi mais cuidadoso.

Em determinada cena de Domínio, um cientista faz exatamente os mesmos gestos que fez no primeiro filme, mas em outra situação - situação essa que não envolve, empolga ou sequer faz sentido na trama. Kenobi, no quarto episódio, esconde uma criança no casaco e foge com ela andando de uma base militar de máxima segurança e todos agem como se o maior Jedi da galáxia, procurado por todos ali, simplesmente não existisse. Cenas como essas, que exigem uma suspensão de crença relevante para que a nostalgia seja digerida sem engasgos, se tornariam palatáveis se houvesse o mínimo de contexto e coesão na história.

Coesão e narrativa

A verdade, porém, é que pedir coesão e narrativa em determinadas histórias hoje é quase um alto padrão, especialmente em blockbusters, cada vez mais feitos para atingir pedidos de um público que, no fundo, não sabe nem o que quer. Apenas grita antes, durante e depois do filme, sem importar onde, como ou porquê. Tal qual os heróis de produtos como Kenobi e Domínio.

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