O que motivou Guilherme de Pádua a matar Daniella Perez?

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Daniella Perez e Guilherme de Pádua em novela. Foto: Reprodução/Globo
Daniella Perez e Guilherme de Pádua em novela. Foto: Reprodução/Globo

Resumo da notícia:

  • Por que Guilherme de Pádua matou Daniella Perez?

  • Filha de Gloria Perez foi morta a tesouradas pelo parceiro de elenco em 1992

  • Documentário "Pacto Brutal" conta história do caso no HBO Max

Lançada no último dia 21 de julho, no HBO Max, a série documental "Pacto Brutal" abre detalhes sobre a história do assassinato da atriz Daniella Perez, filha de Gloria Perez, ocorrido há três décadas. Com a repercussão do documentário, o assunto voltou a movimentar a mídia e o interesse do público, que busca entender o que levou Guilherme de Pádua a acabar com a vida da colega de elenco.

Isso porque ele matou a jovem de 22 anos a tesouradas, em dezembro de 1992, com a esposa Paula Thomaz como cúmplice, em meio ao protagonismo da atriz na novela "De Corpo e Alma", na TV Globo. E o que o motivou a fazer isso?

Em depoimento na época, Guilherme chegou a dizer que sentiu seu papel desprezado na trama enquanto Daniella ganhava destaque no enredo. Vale ressaltar que os personagens dos atores viveram um breve romance na novela.

De acordo com testemunhas do caso, na semana do assassinato, ele estava desconfiado de estar sendo reduzido na história pelo fato do personagem não aparecer por dois capítulos. Além disso, Guilherme acreditava que Daniella teria falado para a mãe (a autora Glória Perez) sobre investidas e o jogo de interesse para tentar mais espaço na produção. Por conta disso, ele teria estimulado ciúmes na esposa, Paula, e ambos arquitetaram o crime.

O crime

Em 28 de dezembro de 1992, Daniella foi abordada por Guilherme na saída da TV Globo, na época em que viviam um par romântico na trama de Gloria. Ele seguiu o carro da atriz até um posto de gasolina, fechou sua passagem, saiu do veículo e deu um soco na atriz, que caiu desacordada.

Na sequência, Guilherme levou a atriz para um terreno baldio com a presença de Paula no carro e parou em um local na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para matá-la com 18 facadas, que atingiram coração, pescoço e pulmão.

Ao chegar no local, a polícia encontrou apenas o carro de Daniella com os documentos enquanto Guilherme aparecia na Delegacia para consolar Glória e o ator Raul Gazolla, marido de Daniella na época. No entanto, a polícia conseguiu intimidar Guilherme com provas concretas e ele assumiu a autoria do crime.

Em depoimento na série documental, Gloria desabafou sobre a dor irreparável de perder a filha. "Não tem como virar a página para a existência de um filho. Várias pessoas que poderiam estar aqui do meu lado não existirão nunca. São os netos que eu não tive. Quando se mata uma pessoa, é muito para além dela. Você mata tudo o que aquela pessoa poderia ter feito em vida. Nunca mais vai ser a mesma coisa. Hoje, eu sei que a plenitude acabou", declarou.

Como ficou a novela?

Houve uma pausa de uma semana e algumas mudanças para que "Corpo e Alma" continuasse no ar. Gloria Perez se afastou por uma semana do roteiro, mas não quis desistir da novela. Segundo depoimento do diretor Daniel Filho, ela afirmou no velório da filha que continuar a trabalhar seria uma maneira de não morrer com a filha.

Portanto, Leonor Bassères e Gilberto Braga, assumiram a narrativa e revisaram cerca de 20 capítulos para a continuidade do enredo. Depois, Gloria retornou ao trabalho e seguiu no comando até o último capítulo, exibido no dia 5 de março de 1993.

Na trama, Yasmin, a personagem de Daniella Perez, foi fazer um intercâmbio no exterior e não apareceu mais. Inclusive, a última cena gravada pela atriz foi ao ar em janeiro de 1993 e a despedida da personagem contou com uma dublê. No entanto, Bira, personagem de Guilherme de Pádua, foi retirado da trama sem explicações.

O julgamento

Realizado cinco anos após o crime, o julgamento rendeu a pena de 19 anos em regime de reclusão para Guilherme e 18 anos e 6 meses para Paula. Eles cumpriram 7 anos de reclusão cada e entraram em regime de liberdade condicional nos anos seguintes.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Gloria relembrou que, na época, um frentista de um posto de gasolina testemunhou o momento em que Daniella foi agredida por Guilherme, que a colocou dentro de um carro, e relatou que a atriz aparentava estar desmaiada. No entanto, ele e sua família não queriam se envolver no caso e nem conversar com Glória.

Sabendo que o depoimento seria fundamental para a investigação, a autora colocou uma foto do corpo da filha embaixo da porta da casa do rapaz. "Eu tirei forças da minha filha [para fazer isso]. Não dava para deixar ela ser achincalhada daquela maneira, pintarem uma pessoa que ela nunca foi. Você mora num país em que se a mãe não arregaça as mangas e vai atrás, muita coisa não acontece", justificou.

Caso Daniella Perez foi feminicídio

Em vigor desde 2015, a Lei do Feminicídio prevê circunstância qualificadora do crime de homicídio e inclui o feminicídio entre os crimes hediondos. Se o assassinato de Daniella Perez, ocorrido em 1992, acontecesse mais de duas décadas depois, se enquadraria na lei em questão e Guilherme de Pádua seria punido por autor de feminicídio por se tratar de um homicídio decorrente de discriminação de gênero e menosprezo pela mulher.

Portanto, a Justiça colocaria o caso dentro do espectro de violência de gênero, renderia uma punição ainda mais severa e colocaria o assunto em pauta como alerta de que mulheres já morriam apenas pelo fato de serem mulheres.

No que diz respeito à punição, o feminicídio figura como um tipo específico de crime no Código Penal, com pena de reclusão de 15 a 30 anos.

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