'Por que fui melhor prefeito': a pedido do EXTRA, Eduardo Paes e Marcelo Crivella defendem suas gestões na cidade do Rio

Alice Cravo
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Foto: Leo Martins / Agência O Globo

Os candidatos que chegaram ao segundo turno da disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro já são conhecidos pelos cariocas. Neste domingo (29), a população escolherá entre o atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos), que comanda a cidade desde janeiro de 2017, e o seu antecessor, Eduardo Paes (DEM), que ficou dois mandatos no cargo, de 2009 a 2016. Para auxiliar o eleitor na importante decisão, o EXTRA pediu que os dois escrevessem textos respondendo à seguinte pergunta: “Por que o senhor acredita ter sido melhor prefeito do que o seu adversário nesta eleição?”. Confira as respostas!

EDUARDO PAES:

“O carioca tem na memória o quanto trabalhamos para melhorar a cidade. Na minha gestão, nós criamos as Clínicas da Família e elas funcionavam. Milhões de pessoas passaram a ter um atendimento digno na saúde próximo das casas delas. A cobertura na atenção primária saiu de 4,5% para 70% da população. Também implantamos as novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), expandimos fortemente a educação em tempo integral em turno único com as Escolas do Amanhã e com os Espaços de Desenvolvimento Infantil (EDIs), ambos criados na nossa administração.

Na mobilidade, fizemos uma verdadeira transformação na cidade e na vida de milhões de pessoas com a implantação de três linhas de BRT — um novo modelo de transporte — e com a implantação do Bilhete Único Carioca. A cidade, durante os meus oito anos como prefeito, ganhou novos espaços urbanos como o Parque Madureira e uma região portuária totalmente reurbanizada. Com uma gestão atuante, também criamos o Centro de Operações Rio e a Central 1746, que tornou a cidade mais ágil e inteligente no atendimento à população. Valorizamos o servidor público, garantimos o reajuste anual, no mínimo pelo índice da inflação, e sempre realizamos o pagamento dos salários no segundo dia útil do mês. Além disso, implantamos um sistema de meritocracia que permitia que o servidor recebesse 14º e 15º salários por meio do acordo de resultados.

Sei que não era tudo perfeito, mas a cidade funcionava. Infelizmente, não é isso que vemos agora. O Rio está abandonado. Os serviços mais básicos deixaram de funcionar. A saúde, a educação, os transportes estão um caos. O Brasil passa por um momento muito difícil, temos também a pandemia, mas essa situação de abandono, de não funcionamento dos serviços públicos não começou em 2020. Ela imperou durante os quatro anos da administração Crivella. E não dá para assistir de camarote à cidade perdendo empregos, à falência do sistema de saúde e ao sucateamento dos BRTs sem fazer nada.

O Rio não suporta mais a incompetência, omissão e mentira do Crivella. Sempre fui um prefeito presente. Quando o Rio mais precisou, estive ao lado da população. Não fugi das minhas responsabilidades. Tenha certeza de que a nossa cidade tem conserto, o que nós precisamos agora é de gestão, muito trabalho e amor ao Rio. Eu tenho a certeza de que, com a sua confiança e o seu voto, a cidade vai voltar a dar certo.”

MARCELO CRIVELLA:

“Fui o prefeito que teve o maior desafio do último século: gerir uma metrópole do porte do Rio de Janeiro em meio à pandemia do novo coronavírus. Mais do que falar em números aqui, posso afirmar que nunca faltaram leitos no sistema municipal de saúde para os pacientes acometidos pela Covid-19. Pelo contrário, nossos hospitais de campanha, erguidos em tempo recorde, abrigaram não só os cariocas, mas também os pacientes vindos de outros municípios. Em 1° de maio, inauguramos os primeiros 100 leitos. Em junho, os 500 leitos dos hospitais de campanha já estavam disponíveis para a população. Além disso, conseguimos ajudar 25 municípios e o governo do estado com equipamentos para que pudessem abrir leitos e, assim, salvar vidas. Reequipamos todo o nosso parque tecnológico das unidades hospitalares. Compramos 27 tomógrafos, 800 respiradores, carrinhos de anestesia, bombas infusoras, camas e vários outros equipamentos para que o carioca tivesse atendimento e qualidade até melhores que os oferecidos pelos hospitais particulares.

Governei com R$ 15 bilhões a menos no caixa da prefeitura: R$ 10 bilhões de arrecadação e R$ 5 bilhões de dívidas olímpicas contraídas pelo meu antecessor, muitas delas resultantes de obras superfaturadas. Mesmo diante desse cenário adverso, priorizei, conforme prometido na campanha, cuidar das pessoas. Gostaria de ter feito muito mais. Mesmo com essa quantidade bem menor de recursos, conseguimos fazer mais com menos.

Na educação, todos os nossos índices melhoraram. Aumentamos a taxa de aprovação escolar e reduzimos a de evasão. Os alunos do turno matinal passaram a receber café da manhã, além do almoço. Os estudantes do período vespertino também receberam lanches, além do almoço, como na gestão anterior. Melhoramos o uniforme, trocamos apostilas por livros e ainda implantamos o programa Sábado Carioca para oferecer reforço escolar, atividades e alimentação aos alunos além dos cinco dias úteis da semana.

Durante a minha gestão, enfrentamos duramente a corrupção e corporações que se beneficiavam de recursos públicos indevidamente. Acabamos com o pedágio da Linha Amarela e tiramos a subvenção dada à Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que só com ingressos já arrecada mais de R$ 1 milhão. Aplicamos o recurso em creches e aumentamos o valor destinado a cada criança de R$ 300 para R$ 650. Lançamos com sucesso o Sistema de Integridade Pública e Responsável e o Sistema de Compliance. Um passo transformador cujos frutos já estamos colhendo. Já conseguimos recuperar um valor substancial de recursos desviados pela corrupção que, nas análises dos técnicos da prefeitura, perfazem um valor superior a R$ 6 bilhões em obras superfaturadas durante o período da Olimpíada. Vamos conseguir recuperar esses recursos para restaurar todo o BRT do Rio de Janeiro, assim como as ruas e avenidas da cidade.”