Por que estupradores viram heróis?

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Até quando a Justiça "passará pano" para abusadores? (Foto: Getty Images)
Até quando a Justiça "passará pano" para abusadores? (Foto: Getty Images)

Em agosto de 1987, quatro jogadores do Grêmio de Porto Alegre foram recebidos na capital gaúcha como heróis. Eles desembarcavam de uma temporada de quase 30 dias presos na Suíça. Foram acusados de estuprar uma jovem de treze anos de idade que tinha ido ao hotel do time pedir autógrafo aos jogadores. A rede de apoio pela liberdade dos atletas incluiu o governo brasileiro e até o presidente da FIFA. A principal alegação de defesa foi que não existiam sinais de violência na vítima e que eles ‘apenas agiram como homens.’’

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Um desses jogadores é o hoje técnico Cuca, que comanda o time do Santos e deu aval para a contratação (que acabou sendo desfeita por causa da pressão de torcedores e patrocinadores) do atacante Robinho, também acusado de estupro na Itália. Daquele desembarque em 87, também surgiu uma análise feita por duas antropólogas: Miriam Grossi e Carmem Rial escreveram sobre os “estupradores” que viraram heróis . Três décadas depois a publicação viralizou em postagens nas redes sociais e também no site da universidade federal de Santa Catarina onde as duas são professoras.

Nesse episódio do "Macho Detox" as duas comentam sobre as mudanças sociais nessas três décadas que separam o episódio dos atletas gremistas e as discussões recentes sobre a cultura do aborto no tribunal da internet

Estupro é uma relação sexual em que a mulher disse NÃO em algum momento.

Elas também lembram que o estupro é um ato de poder da hegemonia masculina e sempre foi uma arma de guerra coletiva, foi assim em diversas situações na história da humanidade e também na formação do que hoje é o povo brasileiro.

Somos um país que se construiu através da cultura do estupro. Nossos heróis são bandeirantes genocidas e estupradores. Tenho arrepio quando passo por aquela escultura em frente ao parque do Ibirapuera (monumento às Bandeiras)

De acordo com as duas antropólogas, casos como o de Mariana Ferrer são habituais nessas boates de Florianópolis (SC).

Quais são os valores de um lugar onde um homem mostra seu poder comprando a garrafa de champanhe mais cara e usando ela inteira pra limpar a areia dos pés?

Gravar esse episódio com essas duas mulheres fantásticas foi como ler um livro precioso, a cada pergunta uma imensidão de possibilidades.

Eu passaria horas e horas escutando as duas e ligando os pontos da historia triste que nos trouxe ate aqui.

Prometo voltar ao tema em breve. Aperte o play e apure seus ouvidos.

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