Por que é tão difícil praticar o autocuidado com regularidade?

Agência Einstein
·3 minuto de leitura
Young athletic woman in cobra pose practicing Yoga with her dog at home.
Por que é tão difícil praticar o autocuidado com regularidade? Foto: Getty

26/08/2020

Por Cristiane Bomfim, da Agência Einstein

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), autocuidado é a capacidade individual de promover e manter a saúde, prevenir e lidar com doenças com ou sem o apoio de um profissional no assunto. Ou seja, é o conjunto práticas e hábitos saudáveis que nos ajudam a manter corpo e mente sãos. Apesar de o termo não ser novo, as mudanças no dia a dia provocadas pela pandemia do novo coronavírus tem aumentado o interesse sobre o assunto. Um levantamento encomendado pela multinacional Bayer e realizado pelo Ibope com 2 mil brasileiros entre 25 de junho e 7 de julho mostrou que 84% dos entrevistados buscam ter uma rotina de autocuidado. Mas por que é tão difícil colocar em prática? A mesma pesquisa mostrou que apenas 1/3 dos entrevistados consegue ter regularidade nestes hábitos.

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“Por vários motivos”, responde Sley Tanigawa Guimarães, médica do Hospital Israelita Albert Einstein e coordenadora da Pós Graduação de Medicina do Estilo de Vida do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa, ambos em São Paulo. “O primeiro é porque requer organização individual para que mudanças de hábito sejam incluídas na rotina. O segundo é que nosso cérebro está programado e acostumado a fazer as coisas de um jeito e temos que reprogramá-lo para o diferente, o que leva tempo e exige constância”, continua.

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A médica diz ainda que para que o autocuidado se torne rotina é preciso alimentar a motivação, especialmente porque a recompensa não é imediata. “Os ganhos do autocuidado são percebidos em médio e longo prazo. E normalmente partimos para a recompensa imediata que é, por exemplo, o prazer de comer um chocolate ou maratonar uma série, não necessariamente hábitos mais saudáveis”, diz.

Distanciamento físico, lavagem das mãos com maior frequência e uso de máscara são exemplos bem presentes na atualidade. Mas, o autocuidado vai além da prevenção à Covid-19. É a prática de atividades físicas, a preferência por uma alimentação balanceada, exercícios e comportamentos que controlem e reduzam o nível de estresse, o sono de qualidade, o acompanhamento médico quando necessário. É evitar colocar-se em risco desnecessário.

Mais atenção

“Em um primeiro momento, a pandemia trouxe uma desregulação dos hábitos. Era comum relatos de pessoas que estavam comendo ou bebendo muito mais, que trocaram o dia pela noite. Agora essas pessoas estão retomando a busca por hábitos mais saudáveis”, explica a médica.

Temas até então pouco discutidos ganharam relevância. É o caso da saúde mental. “Estamos mais preocupados em como ela impacta no nosso dia a dia e dando mais atenção aos sinais que podem indicar estresse, ansiedade, depressão e como prevenir isso”, diz Rafael Herrera Ornelas, médico da família do Hospital Israelita Albert Einstein. Outra pesquisa, desta vez realizada pelo núcleo de Inteligência de Mercado do Grupo Abril sobre autocuidado na pandemia, revelou que 69% dos brasileiros mudaram de atitude em relação à saúde após às mudanças impostas na rotina pela disseminação do novo coronavírus no Brasil. Dos 1.874 entrevistados em junho, 38% afirmou estar cuidando mais do bem-estar mental e 29% disse ter melhorado a alimentação.

“Temos que falar de autocuidado de forma positiva e menos policialesca. Ele tem a ver com a descoberta individual do que faz bem, do que é qualidade de vida, do que espera em longo prazo. Tem a ver com autoconhecimento. O benefício é individual. Mas como vivemos em uma sociedade, quando eu me cuido, quando me exponho menos a risco, protejo também quem estar ao meu redor”, conclui Rafael Herrera Ornelas.

(Fonte: Agência Einstein)

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