Por que dormir duas horas a menos à noite pode deixar você mais irritado?

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Um novo estudo publicado no Jornal de Psicologia Experimental: Geral encontrou evidências que sugerem que dormir pouco deixa você mais irritado.

Mas isso é óbvio, certo?

Pesquisadores da Universidade do Estado de Iowa, EUA, pediram a 142 participantes que mantivessem seu padrão de sono normal ou restringissem entre duas e quatro horas ao longo de duas noites. O primeiro teve, em média, quase sete horas de sono por noite, enquanto o segundo durou cerca de quatro horas e meia.

Os entrevistados eram obrigados a executar tarefas (classificar produtos) em um laboratório antes e depois de dormir enquanto escutavam ruído marrom (que se parece com o barulho de uma pulverização de água) ou um ruído branco mais irritante (que soa como sinal estático).

A ideia era criar um cenário desconfortável adicionando esses sons, o que pode fazer as pessoas se sentirem irritadas. E não tiveram nenhuma surpresa ao descobrir que a restrição do sono “intensificava demais a raiva”.

“Em geral, a raiva era substancialmente maior para aqueles que estavam restritos ao sono”, diz o coautor do estudo, Zlatan Krizan, professor de psicologia no estado de Iowa.

“Nós manipulamos o quão irritante o barulho ficava durante a tarefa e, como esperado, as pessoas relataram mais raiva quando o barulho era mais desagradável. Quando o sono estava restrito, as pessoas relatavam ainda mais raiva, independentemente do barulho”.

Os resultados sugerem que as pessoas são menos capazes de lidar com situações irritantes ou frustrantes quando estão cansadas, concluíram os autores.

Embora pesquisas anteriores tenham encontrado uma ligação entre o sono e a raiva, ainda persistiam dúvidas a respeito da falta de sono ser a causa ou se a raiva era responsável pelo sono interrompido, diz Krizan.

“Apesar das tendências típicas para se acostumar com as condições irritantes, como uma camisa desconfortável ou um cachorro latindo, indivíduos com restrição de sono mostraram uma tendência a aumentar a raiva e a angústia, essencialmente revertendo sua capacidade de se adaptar a condições frustrantes ao longo do tempo. Nenhum deles demonstrava isso antes”, acrescentou Krizan.

Os autores estão agora trabalhando em outro estudo, com uma amostra um pouco maior, durante um mês, para determinar se suas descobertas se estendem à vida cotidiana.

Rosie Fitzmaurice

Evening Standar