Por que 'Agente Oculto', com Ryan Gosling e Chris Evans, é o filme mais caro da Netflix

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Tiro, porrada e bomba. Essa talvez seja a melhor maneira de descrever o que são as duas horas de "Agente Oculto", filme da Netflix que estreia nesta semana e que se distancia da maioria das produções originais da plataforma não só pela ação frenética, digna de telona, mas pelo gordo orçamento, o maior da empresa até agora.

Foram US$ 200 milhões —ou mais de R$ 1 bilhão— para garantir que prédios inteiros explodissem, carros dessem giros no ar e até que um bondinho descarrilhado fizesse ruir fachada atrás de fachada no centro de uma cidade pitoresca da Europa.

Tudo isso enquanto Ryan Gosling passeia por diversos países, acompanhado de um elenco igualmente estrelado —e caro. O antagonista para seu mocinho é outro galã, Chris Evans, e o trio principal fica completo com Ana de Armas, uma das novas promessas de Hollywood.

"Eu nunca imaginei que faria um filme de ação, que seria uma estrela de ação. Eu cresci vendo telenovelas em Cuba, sabe, então esse tipo de filme, para mim, estava muito além do meu alcance, não se relacionava comigo", diz a atriz cubana. "Agora, do nada, aqui estou eu vivendo essa mulher incrível, forte e durona. Eu tive um gostinho disso no último filme de James Bond e agora pude expandir esse lado da carreira."

Aos 34 anos, Armas se tornou uma das novas "it girls" de Hollywood, depois de roubar a cena em filmes como "Blade Runner 2049", "Wasp Network: Rede de Espiões", "Entre Facas e Segredos", "Águas Profundas" e o já mencionado "007: Sem Tempo para Morrer". Ainda este ano, deve abrir as portas para os grandes prêmios da indústria com outra parceria com a Netflix, "Blonde", em que ressuscitará Marilyn Monroe.

Em "Agente Oculto", ela é uma espécie de agente secreta que ajuda o protagonista interpretado por Gosling, outro membro de um grupo de elite da CIA e que descobre um complô para pôr fim ao seu trabalho e ao de seus colegas.

Em seu encalço está o personagem de Evans, um assassino profissional contratado pela mesma CIA para fazer o tipo de coisa que a agência considera suja demais. Por isso, a personagem de Armas precisa constantemente salvar o colega, o que a atriz celebra, já que acaba não reduzida a um papel de interesse romântico, como acontece com muitas mulheres neste gênero que exala testosterona.

Para orquestrar essa sinfonia de tiroteios e explosões, a Netflix cooptou os irmãos Anthony Russo e Joe Russo, que fizeram fama ajudando a moldar o chamado Universo Cinematográfico Marvel, ao dirigir os filmes do Capitão América e o bilionário "Vingadores: Ultimato".

Segundo Chris Evans, que vestiu o uniforme do mais americano dos super-heróis, foi diferente trabalhar com a dupla de cineastas agora, se comparado ao já longínquo ano de 2014, quando "Capitão América 2 - O Soldado Invernal" foi lançado.

"Agora houve mais familiaridade, um clima mais confortável. E se notava que os Russo estavam mais à vontade para correr riscos. No nosso primeiro filme juntos, eles estavam desesperados para se provar. Eles eram os novos caras chegando ao parquinho, então as pessoas ainda queriam saber o que eles teriam a oferecer", diz Evans. "Nesse novo filme nós estávamos praticamente nos divertindo, porque eles agora sabem que merecem estar aqui."

"Agente Oculto", aliás, surge como uma tentativa da Netflix de estabelecer seu próprio universo cinematográfico —nada mais natural, portanto, que o convite feito aos irmãos Russo—, num momento em que as plataformas de streaming tentam criar franquias bem-sucedidas, capazes de mobilizar legiões de fãs, para manter seus assinantes fiéis. A Netflix, por exemplo, anunciou justamente nesta semana que perdeu cerca de um milhão de assinantes no último trimestre.

Com tamanho orçamento, fica claro que o gigante do sob demanda apostou várias fichas no longa —mas será do público, agora, a tarefa de pagar essa aposta, já que os críticos vêm detonando o filme, que azedou com apenas 53% de aprovação no agregador de críticas online Rotten Tomatoes. Fosse este um lançamento para as salas de cinema, é provável que a nota espantaria um bom número de espectadores.

Mas essa é a zona livre do streaming, em que dados de audiência não costumam ser revelados e em que os clientes, já tendo desembolsado o valor mensal da assinatura, costumam estar mais propensos a ver o que os algoritmos sugerem. E a Netflix tem investido pesado na campanha de "Agente Oculto".

Não só ela, mas os nomes do elenco também comprovam as altas expectativas para o longa. Além de Gosling, Evans e Armas, também estão na trama Regé-Jean Page, recém-saído de "Bridgerton" e alçado a galã pela própria plataforma, Billy Bob Thornton e, num aceno aos mercados internacionais, o indiano Dhanush e o brasileiro Wagner Moura.

Esse último tem uma pequena participação como um sujeito canastrão que falsifica passaportes e aparece lá para o meio de "Agente Oculto", para ajudar o personagem de Gosling a viajar sem ser localizado. Caricato, Laszlo Sosa usa óculos pesados, anda mancando, tem um sotaque carregado e 20 quilos a menos que o Wagner Moura de antes das gravações.

"Eu queria que o personagem fosse um contraponto a toda a testosterona do filme. Um tipo frágil, que não despertasse nenhuma ameaça ao personagem do Ryan. Aos poucos foi aparecendo aquela figura doida", diz o ator, que destaca ainda que os irmãos Russo deram muita liberdade criativa ao elenco, estimulando que eles improvisassem em cena.

AGENTE OCULTO

Quando Estreia nesta sexta (22), na Netflix

Classificação 14 anos

Elenco Ryan Gosling, Chris Evans e Ana de Armas

Produção EUA/República Tcheca, 2022

Direção Anthony Russo e Joe Russo

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