'Política de Saúde não é do ministro, é do presidente', diz Queiroga em encontro com Pazuello

João de Mari
·3 minuto de leitura
Queiroga falou com a imprensa ao chegar a uma reunião com o ainda ministro, Eduardo Pazuello, em Brasília. O novo ministro, quarto a comandar a pasta desde o início da pandemia, teve o nome anunciado por Bolsonaro na segunda (Foto: Agência Brasil )
Queiroga falou com a imprensa ao chegar a uma reunião com o ainda ministro, Eduardo Pazuello, em Brasília. O novo ministro, quarto a comandar a pasta desde o início da pandemia, teve o nome anunciado por Bolsonaro na segunda (Foto: Agência Brasil )

O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta terça-feira (16) que a política de saúde não é do ministro, mas sim do presidente, dando a entender que executará o que for definido por Jair Bolsonaro (sem partido).

Queiroga falou com a imprensa ao chegar a uma reunião com o ainda ministro, Eduardo Pazuello, em Brasília. O novo ministro, quarto a comandar a pasta desde o início da pandemia, teve o nome anunciado por Bolsonaro na segunda (15).

Leia também:

"O governo está trabalhando. As políticas públicas estão sendo colocadas em prática. O ministro Pazuello anunciou todo o cronograma da vacinação. A política é do governo Bolsonaro. A política não é do ministro da Saúde. O ministro da Saúde executa a política do governo. Ministro Pazuello tem trabalhado arduamente para melhorar as condições sanitárias do Brasil e eu fui convocado pelo presidente Bolsonaro para dar continuidade a esse trabalho", disse Queiroga.

Pazuello deixa o cargo após ter sofrido forte pressão política nas últimas semanas, diante do agravamento da pandemia de Covid-19 no país e da lentidão da vacinação e da compra de vacinas.

Inicialmente, a cardiologista Ludhmilla Abrahão Haijar foi cotada para o cargo. Ela era o nome preferido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). No entanto, a médica não aceitou substituir Pazuello. Ludhmilla é a favor do isolamento e da imunização em massa e contra o chamado tratamento precoce, apoiado por Bolsonaro.

EX-MINISTROS

Depois de um processo de fritura, com troca de alfinetadas públicas, Luiz Henrique Mandetta foi demitido em abril de 2019, no início da crise causada pela pandemia da covid-19.

O então ministro da Saúde não aceitou recomendar hidroxicloroquina no tratamento da doença e destacava a não comprovação da eficácia do medicamento, além de defender medidas de isolamento social.

Escolhido como substituto, Nelson Teich também se recusou a indicar a cloroquina. Assim como Mandetta, Teich é médico e declarava que o medicamento tem efeitos colaterais e deve ser usado com cuidados.

O ex-ministro ainda tentou adotar em sua gestão medidas de combate ao coronavírus, como diretrizes para restrições de circulação de pessoas.

Isolado no governo, ele pediu exoneração com menos de um mês no cargo e foi substituído pelo seu secretário-executivo, general Eduardo Pazuello.

Sob o lema de que “um manda, o outro obedece”, em relação a Bolsonaro, o militar acatou as ordens do Planalto e recomendou “tratamento precoce” sem comprovação científica, não apoiou medidas de distanciamento social, atrasou a vacinação no país e foi omisso no colapso do sistema de saúde, principalmente em Manaus, onde pacientes morreram asfixiados pela falta de oxigênio medicinal.

A Procuradoria-Geral da República abriu uma investigação para apurar a negligência do Ministério da Saúde sob o comando de Pazuello. No Congresso, senadores pressionam para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Diante desse cenário, a permanência do general à frente da pasta se tornou insustentável. Agora com a adoção de um discurso pró-vacina, o Palácio do Planalto também avalia que a demissão de Pazuello pode estancar a perda de popularidade de Bolsonaro.