Polícia tem imagem de pessoa esperando carro de família que foi morta e carbonizada no ABC

Romuyuki, Juan e Flaviana foram encontrados carbonizados em um carro em São Bernardo do Campo, semana passada. Foto: Reprodução/Facebook

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Casal e filho foram encontrados mortos em São Bernardo na última terça, e filha do casal e namorada são as principais suspeitas do crime.

  • Imagens obtidas pela polícia mostram uma pessoa esperando os carros saírem do condomínio horas antes de os corpos terem sido achados carbonizados.

A Polícia Civil de São Paulo revelou imagens que integram a investigação do assassinato de três pessoas de uma família em São Bernardo do Campo, Grande São Paulo.

Uma delas é a que mostra, minutos antes de o carro de Flaviana Gonçalves, 40, deixar pela última vez o condomínio em que a família vivia, às 0h56 da terça (28), uma pessoa filmada por câmeras de segurança parada na portaria segurando dois capacetes. O conteúdo foi revelado pelo UOL.

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De acordo com as investigações, não se sabe quem é a pessoa, tampouco se ela tem ligação com a morte de Flaviana, do marido Romoyuki Gonçalves, 43, e do filho Juan Gonçalves, 15. Os corpos deles foram encontrados carbonizados no porta-malas do carro de Flaviana horas depois. A coincidência e o horário em que a pessoa foi vista na porta do condomínio, contudo, chamam a atenção, e as imagens estão sendo analisadas no inquérito policial.

A cronologia do caso foi feita com base nas informações da polícia, mostra também que Ana Flávia Menezes, 24, e sua namorada Carina Ramos, 26, principais suspeitas do assassinato, chegaram ao condomínio em que a família morta morava por volta das 18h — cerca de oito horas antes de o carro ter sido descoberto queimado em São Bernardo do Campo (SP), cidade vizinha a Santo André, onde a família morava.

Detidas desde a última quarta-feira (29), Ana Flávia e Carina tiveram o pedido de prisão temporária acatado pela Justiça.

Cronologia

De acordo com a cronologia do caso elaborada pela polícia, às 17h58, o carro da suspeita chega ao condomínio pela primeira vez – o Fiat Palio prateado de Ana Flávia entra no condomínio Morada Verde, em Santo André (SP).

O carro deixa o local cinco minutos depois. Entre o primeiro horário e as 21h44, o carro foi flagrado pelas câmeras saindo e entrando do condomínio três vezes.

Às 19h38, Romuyuki chega em casa, em meio às entradas e saídas de Ana Flávia. O comerciante passa pelo portão do local às 19h38. O Palio prateado de Ana Flávia passa logo em seguida, colado ao veículo do pai.

Às 20h45, Carina é registrada pelas câmeras entrando no condomínio pelo portão social a pé, com um capuz cobrindo parte do rosto. Como fazia calor naquela noite, o fato chamou a atenção dos policiais. Às 20h45, Carina aparece no bolsão do estacionamento do condomínio, de novo a pé.

Um minuto depois, o Palio prateado é visto novamente saindo do local. Carina sai do condomínio a pé, atravessa a rua, e o veículo a segue. Ela então entra no carro na rua Beija Flor, próxima ao condomínio. O carro em que as duas estariam volta ao condomínio cerca de uma hora depois.

Às 22h18, o carro de Flaviana, a mãe, chega ao condomínio -- um Jeep azul-escuro. Ela estava trabalhando em uma de suas lojas que fica em um shopping, segundo a polícia.

Uma pessoa segurando dois capacetes permanece em frente ao condomínio minutos antes de o carro da família encontrada morta em São Bernardo sair. Imagem: Divulgação/ Polícia Civil

Conforme as imagens repassadas à polícia, uma pessoa ficou parada em frente ao condomínio, portando dois capacetes, um minuto antes dos carros de Flaviana e Ana Flávia deixarem o condomínio pela última vez, às 0h56 da terça-feira (28). Com base no depoimento de uma testemunha que está sob proteção, a polícia acredita que se trate de um homem de 1,90m que teria participado do crime.

A testemunha, completa a polícia, afirma ter visto um homem ajudando Carina e Ana Flávia a colocar algo no carro, que estava estacionado de ré na casa da família, dentro do condomínio. Contudo, não há informaçõesde que esta seria a mesma pessoa flagrada pelas câmeras naquela madrugada.

Apesar de o porteiro ter afirmado aos investigadores que viu Flaviana saindo com seu carro naquele momento, a polícia afirma que não é possível confirmar essa informação até o momento.

Às 2h30, Flaviana, o filho Juan e o marido Romoyuki têm os corpos encontrados carbonizados no porta-malas do carro da família, na Estrada do Montanhão, próximo ao Rodoanel, em São Bernardo do Campo.

Depoimentos

A polícia informou ao UOL que Ana Flávia foi interrogada de forma "exaustiva" após os corpos terem sido localizados (por volta das 2h30 da última terça). Ela passou mal enquanto conversava com os policiais, o que dificultou a busca de informações por parte dos investigadores. Ana Flávia sustenta que a família devia dinheiro a um agiota, e a morte poderia ter sido uma retaliação. Outros familiares rechaçam a hipótese.

Ela e Carina deram a mesma versão: estavam na casa da família dos pais e, após um telefonema que "deixou todos exaltados", teriam decidido deixar o local. Elas não souberam explicar o sangue encontrado na casa e nas roupas de Ana Flávia.

"Segundo elas o clima ficou ruim, e elas perceberam que tinham de se retirar", afirmou, nessa sexta (31), o delegado Paul Henry Bozon.

Conforme Ana Flávia, a mãe iria pagar o agiota e depois partiria para viagem a Minas Gerais. As duas afirmaram que estavam na casa de Carina durante a noite, mas as imagens da câmera do condomínio mostram que elas estavam na casa das vítimas. A polícia considerou os depoimentos contraditórios e a versão "inverossímil".

Um minuto depois o Palio prateado e um Jeep azul-escuro (carro de Flaviana) cruzam o portão. O veículo seria visto horas depois totalmente carbonizado.