Cinco casos investigados pela Polícia Federal do Rio de Janeiro podem interessar a Bolsonaro

Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images

O novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Rolando de Souza, escolheu o delegado Tácio Muzzi para chefiar a superintendência da corporação no Rio. Muzzi vai substituir Carlos Henrique de Oliveira, que irá para Brasília ocupar a diretoria-executiva da PF. Um dos pivôs da crise que culminou com a saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro do governo, a superintendência da PF fluminense é um interesse declarado do presidente Jair Bolsonaro ao menos desde agosto do ano passado.

Nas declarações públicas em que admitiu esse interesse, ou nas mensagens em privado que Moro afirma ter recebido nesse sentido, Bolsonaro não explicou os motivos de sua intenção de mudar a chefia da PF no Rio. O EXTRA apurou que ao menos cinco casos podem interessar ao presidente. Quatro deles são investigações que se relacionam com filhos ou pessoas próximas a Bolsonaro, como Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro. Um quinto caso envolveu o desejo do presidente de mudar o delegado da Receita Federal no Porto de Itaguaí.

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A primeira vez em que o presidente mencionou a vontade de trocar o chefe da PF no Rio foi em 15 de agosto de 2019. Na ocasião, alegou que o motivo seria “gestão e produtividade”. Dias depois, a defesa de Queiroz, na época exercida pelo advogado Paulo Klein, entrou com um pedido de acesso aos autos de uma investigação na PF na qual ele seria um dos alvos.

O inquérito tramita desde 2018 na PF no Rio. Entre janeiro e março do ano passado, uma pessoa, cuja identidade é mantida em sigilo, foi convocada para depor e foi questionado sobre Queiroz e suas atividades na Alerj. A juíza da 5ª Vara Federal Criminal Adriana Alves dos Santos Cruz negou o acesso porque a PF informou que Queiroz não era formalmente investigado e a menção que existia a ele era o relatório do Coaf no qual ficou registrada uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão. Essa investigação segue tramitando.

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Também dias depois de anunciar a intenção de mudar a PF, o presidente Bolsonaro tentou trocar o delegado da Receita Federal no Porto de Itaguaí, José Alex Nóbrega de Oliveira. Em mensagem nas redes sociais, José Alex alertou que Itaguaí é fortemente dominada por milícias, sendo o porto um local de entrada de mercadorias ilegais. A PF apura as denúncias do órgão.

Em agosto do ano passado, também irritou o presidente quando um delegado do Rio fez um despacho citando de modo equivocado o deputado Hélio Lopes, em uma investigação sobre supostos crimes previdenciários de outro réu. No fim de outubro do ano passado, veio à tona depoimento de um porteiro do condomínio onde Bolsonaro mora no Rio, afirmando que um dos acusados de executar a vereadora Marielle Franco pediu para ir à casa de Bolsonaro no dia do crime. A PF abriu inquérito para apurar se o porteiro, que depois voltou atrás, caluniou o presidente.

Até a primeira menção de Bolsonaro em trocar o superintendente do Rio, a única investigação da PF de conhecimento público que envolvia sua família era a que apurava se o senador Flávio Bolsonaro cometeu lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral ao declarar seus bens à Justiça Eleitoral. O caso foi enviado ao Judiciário em março com pedido de arquivamento.

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***Por Aguirre Talento, Bela Megale, Chico Otavio e Juliana Dal Piva, do Extra