Polícia espera identificar em cinco dias autores de atentado à sede do Porta dos Fundos

Ataque deixou marcas na fachada da produtora do Porta dos Fundos. Imagem: TV Globo

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Produtora do Porta dos Fundos foi alvo de ataque criminoso na véspera de Natal.

  • Delegado do caso estima ter nos próximos cinco dias, dada a evolução nas investigações, identidade de autores do crime.

A Polícia Civil do Rio espera identificar nos próximos cinco dias os responsáveis pelo ataque à produtora Porta dos Fundos, ocorrido com um coquetel molotov na última terça (24), véspera de Natal. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, com base na evolução das investigações divulgada pelo delegado responsável que chefia o inquérito, Marco Ribeiro.

Um ponto já levantado pelos investigadores, por exemplo, é que o grupo responsável pelo ataque escondeu a placa do carro tipo SUV, usado na ação, com “silver tape”, fita adesiva de cor cinza. A partir de uma série de imagens colhidas de câmeras de prédios e da CET-Rio, equipes da 10ª Delegacia Policial (Botafogo) estão montando um croqui da trajetória de chegada e da rota de fuga do carro e da moto utilizados pelos quatro homens envolvidos na investida contra o prédio da produtora, localizado na rua Capitão Salomão, Humaitá.

Leia também

Conforme O Globo, os investigadores já sabem, por exemplo, que os ocupantes do carro não usaram a fita adesiva o tempo todo, uma vez que poderiam ser pegos em blitz policial.

Até o momento, a investigação está concentrada no local do crime e suas imediações. Por outro lado, o delegado admitiu que poderá ampliar os trabalhos para outras ações envolvendo o mesmo grupo.

“As diligências estão em andamento. Os envolvidos estão sendo identificados por vários recursos”, afirmou.

O ataque e os rumos das investigações

O ataque à produtora aconteceu madrugada de terça, quando homens com capuzes atiraram três coquetéis molotov contra a produtora. Em seguida, o vídeo que circulou na internet reivindicou o ataque para o "Comando de Insurgência Popular Nacionalista" da "Família Integralista Brasileira" em represália ao especial de Natal do Porta dos Fundos.

A investigação da 10ª DP, em princípio, apura os crimes de incêndio e tentativa de homicídio contra o segurança que estava no local e que conseguiu apagar o fogo. A hipótese de o caso ser tipificado como terrorismo não está descartada. Caso isso aconteça, a atribuição do caso passa para a Polícia Federal, já que a Lei Antiterrorismo, de 2016, prevê que esses crimes “são praticados contra o interesse da União”.

Ao todo, a polícia vai analisar imagens de 80 horas de filmagens de câmeras de segurança, enviadas nessa sexta (27) para um laboratório do Instituto de Criminalística Carlos Éboli. A meta é que o exame pericial seja auxiliado por um programa de computador a identificar todos os números e letras das placas de uma caminhonete e de uma motocicleta.

Os investigadores da 10ªDP tentam ainda obter outras imagens de câmeras de segurança de pontos do Humaitá, além de trechos dos Bairros de Botafogo, Urca e até do Túnel Santa Bárbara. Isso ajudaria a confirmar uma possível rota de fuga usada pelos envolvidos no ataque.

Em paralelo, a investigação monitora a apuração feita por outras delegacias, da autoria do roubo de quatro veículos, levados horas antes do ataque. Todos têm características parecidas com a caminhonete usada no ataque ao prédio do Porta dos Fundos.

Por testemunhas, as equipes da 10ª DP já sabem, por exemplo, que os homens rondaram o local horas antes do crime, esperando um bar próximo à produtora esvaziar. O ataque com coquetéis molotov foi às 5h21 do último dia 24. A fim de buscar descobrir se algum dos criminosos passou pelo local sem máscara antes do ataque, a polícia vai analisar filmagens a partir de 1h até pouco depois das 6h. Já foram obtidas imagens de clínicas médicas, restaurantes, lojas e de um edifício residencial.

Nesta semana, a polícia deve ouvir o vigilante de serviço no prédio na hora do ataque. O funcionário apagou o incêndio provocado pelos coquetéis com um extintor.