Poliamor na quarentena: como as pessoas com mais de um parceiro lidam com o isolamento

Poliamor na quarentena (Foto: Getty Images)

Por Natália Eiras (@naeiras)

A quarentena foi decretada para evitar aglomerações e diminuir o contágio do covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus. Mas e como fica a vida amorosa das pessoas que mantêm relacionamentos compostos por mais de duas pessoas? 

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De acordo com a cozinheira Carol*, 35, a situação pede ainda mais diálogo. Moradora de Berlim, na Alemanha, ela tem dois companheiros: um de Londres, com quem se relaciona há dois anos meio, e um na mesma cidade em que mora, com quem está há um ano e meio. “Decidi quarentenar com o meu companheiro de Berlim para que pudéssemos ter companhia e apoio nesse momento”, diz a cozinheira.

Foi uma decisão simples, mas que envolveu outras pessoas. “Conversei com meu outro parceiro e ele com a outra companheira dele. Queríamos checar se estava todo mundo de acordo e confortável com a situação”. 

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A dinâmica dentro de casa é tranquila, mas requer organização e respeito pelo espaço alheio. Aspectos importantes também para um casal monogâmico que esteja em isolamento.

“Nós costumamos a fazer coisas em cômodos separados, então não é esquisito ele estar na sala fazendo as coisas dele e eu na cozinha em uma videoconferência com meu parceiro de Londres”, fala Carol. Ela costuma marcar sessões de ioga e cozinha virtualmente com o companheiro de outra cidade.

“Aviso previamente a pessoa com quem estou quarentenando e ele se organiza para fazer outras coisas.” As discussões de relacionamento como uma forma de checar se está tudo bem são frequentes. “Estamos sempre vendo se a balança não está pendendo para um lado.”

Trisal quarentenando juntos

A divisão do tempo já não é um problema para a atriz e modelo Sabrina*, 25. Ela vive em um trisal há cerca de um ano e, no início do relacionamento, a atriz, o namorado e a parceira deles decidiram que seria interessante se isolarem todos juntos. Ela já morava com o companheiro, então a namorada deles mudou para a casa onde vivem.

“O legal é que pudemos nos aproximar ainda mais e fortalecer nossos vínculos, o que é muito importante em um momento como esse, né?”. Tem dias que os três dormem juntos na cama e nos outros se separam pela casa. “Vamos conversando e vendo qual é a vibe no momento. Não queremos forçar nada para ninguém”. Até o momento, no entanto, Sabrina diz que está tudo muito divertido. “Percebi que dá para juntar as trouxas, inclusive em um trisal.”

Acabou o poliamor?

Já o programador e designer Angelo Dias, 30, não mora na mesma casa que sua companheira. “Mas moramos no mesmo prédio, com uma porta de frente para o outro e dividimos nossas cachorras. Então estamos quarentenando juntos”. A diferença é que cada um tem seu próprio canto para onde correr, se for o caso. 

Eles vivem o poliamor, apesar de, no momento, não estarem se relacionando com mais ninguém fora do casal. “Está tão difícil quanto para as pessoas solteiras. Muitos contatinhos, promessas de encontro, mas nada que possamos colocar em prática no momento para não nos contaminar”. Apesar da vontade de dar uns beijos na boca e curtir o amor livre que eles construíram, Angelo e a companheira preferiram manter-se seguros. “A nossa prioridade nesse momento é ficar seguro”.