Política não se faz em cima do palco, diz organizadora do Rock in Rio Lisboa

Registro da responsável pela realização do festival, Roberta Medina, em Lisboa (Foto: Arquivo Pessoal)
Registro da responsável pela realização do festival, Roberta Medina, em Lisboa (Foto: Arquivo Pessoal)

Responsável pela edição portuguesa do Rock in Rio, a empresária Roberta Medina comentou o surgimento de manifestações políticas nos palcos de festivais de música.

"Eu acho que política se faz com conversa e não em cima do palco", disse Medina em entrevista neste sábado (25). "No Rock in Rio, vemos os artistas explorando a oportunidade de dar cara para uma multidão, de reverberar para um país inteiro. É mais pela arte do que pela posição política, ninguém consegue fazer uma defesa política no palco."

A exemplo do que ocorreu no Lollapalooza e na Virada Cultural de São Paulo, a edição deste ano do Rock in Rio Lisboa também foi marcada por declarações políticas por parte dos artistas brasileiros, que se manifestaram principalmente contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) e as mortes do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.

No começo da tarde deste sábado (25), a banda paulista Francisco, El Hombre fez várias críticas ao presidente para a plateia, que exibia bandeiras estampadas com o rosto de Lula (PT), candidato ao Planalto, e também contrárias ao atual governante.

Na apresentação da cantora Anitta, o tema apareceu quando seu balé repetiu o grito de "fora, Bolsonaro", o que também havia acontecido em seu show no festival Coachella, nos Estados Unidos. Em entrevista dada a jornalistas brasileiros e portugueses, a cantora ainda falou sobre a Amazônia. "A Amazônia é o grande tesouro do nosso país, e as pessoas a tratam como nada. É inaceitável que esse lugar seja perigoso para as pessoas visitarem", disse, em referência ao assassinato de Dom Phillips e de Bruno Pereira, que teve grande repercussão internacional.

Outro artista a levantar essa bandeira foi Ney Matogrosso. Apesar de não ter evitado fazer manifestações verbais, o cantor exibiu vídeos de indígenas no telão do palco.

O público puxou gritos contrários ao presidente em todas as apresentações de artistas do Brasil no último fim de semana de evento.

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