PM reprime manifestação de professores da Alesp; “A cada segundo é uma bomba”, diz professor

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Tropa de Choque na porta do Plenário da Alesp - Foto: Nilcio Costa

Texto / Simone Freire | Imagem / Reprodução

Convocada para amanhã desta terça-feira (3), uma manifestação de professores estaduais na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) foi reprimida pela Polícia Militar do estado.

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Os professores estavam na Casa legislativa para protestar contra Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18, que estabelece mudanças na Previdência paulista, e outras sugestões de mudanças que, segundo eles, retiram direitos “em efeito cascata” dos professores.

A ação da polícia, com cassetetes, bombas de efeito moral e balas de borracha, deixou alguns professores feridos, segundo relatos de servidores que estavam presentes e vídeos que circularam nas redes sociais.

“Por volta das 10h15 a polÍcia invadiu e já devem ter jogado mais de 10 bombas de gás lacrimogêneo. Estão dispersando os professores atrás de bombas. Existem pessoas machucadas e sangrando. A cada segundo é uma bomba", conta o professor Denis Martins, membro da Rede Quilombação de Resistência ao Racismo, que está dentro da Alesp desde às 9 horas. “Lá fora também está um campo de batalha”, completa.

Ao meio dia, segundo Denis Martins, a água da Casa foi cortada, o que impossibilitou os professores de lavarem seus rostos e diminuírem os efeitos das bombas de gás.

Mesmo com o protesto, segundo Mônica Seixas, da Bancada Ativista, a votação da proposta em segundo turno continuou em andamento.

Assista

O que está em jogo?

As alterações propostas pelo governador João Dória (PSDB) são descritas pelos servidores estaduais como mais “cruéis” do que o texto aprovado no Congresso Nacional, segundo informações da Rede Brasil Atual.

Para garantir a aprovação, a base do governo na Alesp buscou discutir o projeto a portas fechadas, sem acesso de servidores, da imprensa e até de assessores dos parlamentares.

A PEC 18, que estabelece a reforma da previdência paulista, e o PLC 80, que detalha a proposta, aumentam o tempo de serviço e o valor da contribuição, reduzem os benefícios pagos a aposentados e pensionistas, e praticamente eliminam o adicional pago aos aposentados que continuarem trabalhando. A proposta também altera os salários dos servidores de “vencimentos” para “subsídios”, o que eliminaria qualquer benefício ou adicional que eles tenham direito a receber.

Na regra atual, para se aposentar, são necessários 60 anos para homens e 55 anos para mulheres, com 35 anos e 30 anos de contribuição, respectivamente. Com a reforma de Dória, a idade mínima exigida dos servidores será de 65 anos para homens e de 62 para mulheres, com tempo mínimo de contribuição de 25 anos, sendo 10 no serviço público e 5 no mesmo cargo em que irá se aposentar. Para obter a aposentadoria integral, portanto, seriam necessários 40 anos de trabalho.

O Alma Preta entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública do estado, mas não retorno à reportagem até o fechamento.