PM reprime manifestação do MPL no metrô em SP contra aumento da passagem e detém 32 pessoas

por Daniel Arroyo e Paloma Vasconcelos

O primeiro ato contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo, na última terça-feira (7/1), foi marcado por repressão policial e terminou com 32 pessoas detidas, entre elas, o fotojornalista Rodrigo Zaim, fundador do Coletivo RUA e cofundador do Instituto Afro Amparo e Saúde.

Organizado pelo MPL (Movimento Passe Livre), que ganhou maior projeção desde as jornadas de junho de 2013, protesto pedia a revogação do reajuste de R$ 0,10 no trem, metrô e ônibus, subindo a passagem de R$ 4,30 para R$ 4,40. O aumento foi acordado entre a Prefeitura de SP, administrada por Bruno Covas, e o Governo estadual, gerido por João Doria, ambos do PSDB.

Desde o início do ato, já havia tensão entre a PM e os manifestantes, que foram revistados de forma aleatória. Quem era selecionado ficava dentro de um cerco feito pelos policiais enquanto tinha documentos e itens, como mochilas e bolsas, verificados. Houve dificuldades também em negociar o trajeto do protesto.

Mais na Ponte:

As detenções aconteceram após a tropa tentar dispersar um grupo que participava do protesto e que estava na estação Trianon/Masp, da linha 2 – Verde do Metrô, na Avenida Paulista, região central da capital paulista. Nesta mesma ação os policiais agrediram quem estava no local, seja manifestante ou jornalista.

A Ponte questionou um PM sobre a prisão das pessoas, informando que havia um fotógrafo no grupo. “Ele tem imunidade parlamentar? Por que ele não pode ir para averiguação?”, questionou o policial, complementando: “É averiguação, porra”. O diálogo se deu antes do ônibus partir da Avenida Paulista em direção ao DP.

Colocados em um ônibus do tipo fretado e sem identificação, foram levados até o 78º DP (Jardins) para registro da ocorrência: 3 manifestantes assinaram termo de circunstanciado por desacato e dano ao patrimônio e 29 tiveram apenas os dados pessoais coletados. Todos foram liberados na madrugada da quarta-feira (8/1), pouco mais de 6 horas depois das detenções.

Uma das jovens detidas conversou com a Ponte assim que foi liberada, mas pediu para não ser identificada por temer represálias. “Estávamos no metrô, olhando, e do nada eles [PMs] começaram a fechar a gente. Fizeram uma rota com escudos e gritaram: ‘senta!’. Mandaram um por um para revistar. Quem foi detido no busão, não fez nada. Teve gente que nem estava na manifestação”, afirma.

O advogado Marcus Lago, 26 anos, que acompanhou os detidos, afirmou que as prisões foram aleatórias e sem provas. “Eles escolheram três pessoas aleatórias para acusar, aquele procedimento padrão que a gente sabe que a polícia acaba fazendo principalmente no término das manifestações”, conta o defensor.

“As acusações são de dano ao patrimônio, mas na verdade foi um dano só ao fardamento dos policiais, e desacato, que é algo aberto, que qualquer coisa eles podem entender como desacato. Agora vai ter a investigação e temos que ver se eles conseguem provar alguma coisa", argumenta Lago.

Marcus lembra que, passados 7 anos das manifestações de junho de 2013, o aparato da polícia se intensificou. “A forma com que eles tratam as manifestações, o aparato tecnológico e até o preparo físico deles aumentou muito por conta de 2013. Algo que não muda são as prisões arbitrárias, que acontecem justamente no término dos atos para intimidar e desencorajar pessoas a irem para as ruas”, critica.

Em nota, enviada às 22h33 desta terça-feira (7/1), a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo) e a PM, comandada pelo coronel Marcelo Vieira Salles, a assessoria de imprensa terceirizada da pasta, a InPress, informou que a PM atuou “para garantir a segurança dos participantes e o direito de ir e vir dos paulistanos” na estação Masp.

“Após orientação dos PMs, os manifestantes foram conduzidos para a área externa da estação, que foi depredada. Um grupo com aproximadamente 30 manifestantes foi detido”, diz a SSP, informando que apreendeu coquetéis molotovs, recipientes com materiais inflamáveis e outros objetos com as pessoas.

A pasta ainda informou que um major da PM foi ferido por estilhaço de vidro, “sendo socorrido ao Hospital das Clínicas”.