Vídeo denuncia racismo após mulher negra ser falsamente acusada de furto

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • Uma mulher negra foi erroneamente acusada por outros passageiros de ter furtado a carteira de uma idosa dentro de um ônibus em Curitiba: “Só porque sou preta, sou a ladrona?”

  • PMs chegaram a revistar a bolsa da mulher, acusada pelos passageiros de ter cometido o crime, mas o furtado foi encontrado com outra passageira, de pele branca.

Uma mulher negra foi erroneamente acusada por outros passageiros de ter furtado a carteira de uma idosa dentro de um ônibus em Curitiba. O vídeo da cena viralizou nas redes sociais e foi registrado na última quinta-feira (16), por volta das 12h40, em um biarticulado da linha Santa Cândida x Capão Raso, próximo ao Shopping Estação.

De acordo com o portal UOL, na ocasião, policiais militares chegaram a revistar a bolsa da mulher, que não quis falar com a imprensa, tampouco, registrar boletim de ocorrência. O vídeo, que até a noite deste sábado (18) já tinha mais de 77 mil visualizações, mostra os passageiros acusando a mulher negra até que, após cinco minutos de confusão, o item roubado foi encontrado, mas com outra passageira, de pele branca, da qual não haviam suspeitado.

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A vendedora Evelyn Duarte, 22, filmou toda a ação. Ao portal, ela disse que, mesmo desesperada, a mulher acusada de furto manteve a calma e tentou explicar às pessoas que era inocente.

No vídeo, ao ter a bolsa revistada pelos policiais, é possível ouvir da mulher a seguinte frase: “Só porque eu sou preta, eu que sou a ladrona?”

"Chegou o momento em que os envolvidos foram para perto do motorista do ônibus e a idosa que teve a carteira roubada disse que chamaria a polícia. O marido desta senhora, um homem branco, repetia o tempo inteiro que a mulher negra que estavam acusando era a responsável pelo furto. Chegou a dizer, inclusive, que tinha visto a moça cometer o crime", lembrou Evelyn.

Poucos minutos depois, PMs que estavam em uma viatura próxima, na região central da cidade, entraram no ônibus e imediatamente começaram a revistar a bolsa da mulher.

"Quem entrou no ônibus começou a acusá-la injustamente sem saber o que tinha acontecido, assim como todas as pessoas que já estavam lá dentro", conta Evelyn. A verdadeira responsável pelo furto foi apontada por um homem, que acompanhou toda a movimentação, mas só apontou a responsável após a revista policial.

Evelyn contou ainda que a vítima não quis registrar boletim de ocorrência porque "a Justiça não existe para pretos, que não têm direito algum", segundo ela.

Para a jovem, as acusações foram motivadas por racismo. "Todo mundo estava observando a ação, mas ninguém se meteu. Quando a verdade veio à tona e viram que a culpada era a outra mulher, o idoso sequer pediu desculpa à primeira suspeita. A mulher dele veio se desculpar comigo, mas não era a mim que ela devia desculpas", afirma.

"Quem estava julgando era a sociedade, as pessoas dentro do ônibus, sem ao menos conhecê-la. Dói, dói muito. Eu segurava o choro porque mulher preta tem que ser forte o tempo todo, mas a gente nunca consegue. Quis passar para essa mulher muita força e, principalmente, que ela não precisava passar por isso sozinha", desabafa Evelyn, que, mesmo durante o acontecido, já acusava a todos dentro do ônibus de racismo.

"As pessoas gritavam, questionavam o fato de eu estar defendendo a moça. Chegaram, inclusive, a falar que, se eu estava com dó, eu que a levasse para casa", conclui a jovem.

A mulher que de fato furtara o objeto foi conduzida pela Polícia Militar para fora do ônibus e logo foi liberada.

O UOL questionou a PM paranaense sobre a abordagem dos policiais, mas não obteve resposta.