A pílula anticoncepcional está ligada a maior risco de suicídio

Um novo estudo encontrou uma ligação entre os contraceptivos hormonais e um maior risco de suicídio [Foto: Getty]

Os contraceptivos hormonais, como a pílula anticoncepcional, têm diversos pontos positivos – como prevenir uma gravidez indesejada, por exemplo. Embora sejam uma forma eficaz para que as mulheres mantenham o controle sobre suas escolhas reprodutivas, há alguns potenciais efeitos psicológicos negativos.

Um novo estudo conduzido pela Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, e publicado na revista científica The American Journal of Psychiatry, revelou que mulheres que fazem uso de contraceptivos hormonais – como a pílula, os adesivos anticoncepcionais, anéis vaginais e DIUs hormonais – apresentam um risco até três vezes maior de suicídio do que mulheres que nunca usaram este tipo de medicamento.

No ano passado a mesma equipe de pesquisadores dinamarquesa descobriu que mulheres que tomam pílula têm uma chance 70% maior de ter depressão do que aquelas que não fazem uso de contraceptivos hormonais, e 23% maior de tomar medicamentos antidepressivos.

No estudo atual os pesquisadores analisaram especificamente o uso de contraceptivos e o suicídio. Eles usaram um estudo nacional para monitorar todas as mulheres com mais de 15 anos e analisaram as receitas de contraceptivos, assim como as mortes e as causas destas mortes.

A pesquisa descobriu que mulheres que usam contraceptivos hormonais têm um risco até três vezes maior de suicídio do que aquelas que nunca usaram.

O adesivo anticoncepcional foi associado ao maior risco de tentativas de suicídio, seguido pelo DIU, o anel vaginal, e por último, a pílula.

A diferença fundamental entre este estudo e os anteriores é o fato de que ele compara usuárias de contraceptivos hormonais a mulheres que nunca fizeram uso dos mesmos, enquanto as análises prévias comparavam mulheres que estavam usando contraceptivos com aquelas que não estavam fazendo uso no momento, mas que poderiam tê-los usado no passado.

Os pesquisadores tiveram o cuidado de ressaltar que o risco absoluto de suicídio associado aos contraceptivos hormonais ainda é extremamente baixo.

Além disso, embora os resultados tenham se mantido, mesmo após o ajuste de outros fatores capazes de aumentar o risco de suicídio, como a presença de doenças de saúde mental, outros especialistas alegam que o estudo pode não ter levado em conta todas as potenciais razões pelas quais as mulheres que usam contraceptivos diferem das que não os usam.

Os contraceptivos hormonais poderiam levar a um maior risco de suicídio? [Foto: Getty]

Esta não é a primeira vez em que uma ligação entre a contracepção hormonal e a saúde mental foi explorada. No começo deste ano, pesquisadores da Suécia descobriram que duas das pílulas anticoncepcionais mais consumidas no Reino Unido – Microgynon e Rigevidon – podem afetar negativamente o bem-estar das mulheres.

Outro estudo afirmou que a pílula pode ter um impacto negativo na libido.

Apesar disso, é importante observar que estudos anteriores que associaram os contraceptivos hormonais à depressão, não conseguiram provar efetivamente que o método escolhido foi o responsável pelo mal-estar.

Os pesquisadores responsáveis por este último estudo não acreditam que as descobertas sejam suficientemente conclusivas para incentivar as mulheres a interromper o uso dos contraceptivos hormonais.

No entanto, dados deste e de outros estudos mostram que mais pesquisas são necessárias para garantir que a escolha de cada mulher não esteja causando um impacto negativo em seu bem-estar.

Agora, os pesquisadores esperam que os resultados incentivem os médicos a discutir os potenciais efeitos colaterais dos contraceptivos, principalmente no caso de mulheres que podem ter um risco maior. “Nós acreditamos que as descobertas são um pouco preocupantes, e que as consequências destas devem levar os médicos a fazer um esforço maior para avaliar cada mulher, antes de receitar a contracepção hormonal,” disse Ojvind Lidegaard, autor principal do estudo da Universidade de Copenhagen, à revista TIME.

Marie Claire Dorking