Piadas com Covid-19, caixão ao vivo e ataques homofóbicos: as polêmicas de Sikêra Jr.

Resumo da notícia:

  • Sikêra Jr perdeu anunciantes e fez um "mea culpa" após discursos violentamente homofóbicos ao vivo

  • O apresentador tem um longo histórico de homofobia, transfobia e misoginia

  • Homofobia no Brasil é crime, e a prática de LGBTfobia prevê reclusão de um a três anos e pagamento de multa

Mesmo após perder anunciantes e ser criticado por colegas e pelo público por sua postura radicalmente homofóbica e intolerante, Sikêra Jr. manteve o discurso conservador e afirmou que mantém sua palavra. O apresentador da Rede TV! fez comentários extremos no Dia do Orgulho LGBTQIA+, e mesmo tendo pedido desculpas por ter se "excedido no tom", manteve o discurso preconceituoso. Na fala, Sikêra disparou: "Vocês precisam de tratamento. Que tara é essa de pegar as crianças do Brasil? Se você quer dar esse rabo, dê, mas não leve as crianças".

Esta não é a primeira vez que Sikêra Jr. dirige seu discurso de ódio contra minorias. Em 2018, o apresentador assumiu discurso misóginio e afirmou que mulheres que não pintam as unhas são sebosas. "Mulher que não pinta a unha é sebosa! Meu pai e minha mãe já sabiam, e eu aviso, pessoal da igreja, são sebosas!", disparou. Os funcionários do programa tiveram que fazer coro da afirmação, gritando "sebosas" no estúdio.

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Sobre homofobia, Sikêra mostrou novamente sua postura transfóbica ao xingar a modelo Viviany Beleboni durante a Parada do Orgulho LGBTQ de 2015. Na época, a modelo representou Jesus Cristo crucificado, e Sikêra disparou: "Isso é um lixo, uma bosta, uma raça desgraçada”. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reverteu a decisão em primeira instância que havia determinado que o apresentador Sikêra Jr. pagasse R$ 30 mil em indenização à modelo transexual Viviany Beleboni. Apesar das ofensas homofóbicas e da vitória de Viviany em primeira instância, o desembargador Rodolfo Pelizzari, relator do processo no TJ-SP, considerou que a atitude do apresentador “não foi ilícita”.

É importante ressaltar que preconceito contra pessoas LGBT é crime no Brasil. No mesmo entendimento dos crimes de racismo, a prática de LGBTfobia prevê reclusão de um a três anos e pagamento de multa.

A insensibilidade de Sikêra Jr. também foi além quando o apresentador se referiu a Alessandra Scatena como "viúva da sorte". A apresentadora perdeu o marido em 2020 após um caso grave da Covid-19.

Entenda o caso contra o Burguer King

Sikêra Júnior usou o editorial do seu programa, o ‘Alerta Nacional’, exibido pela RedeTV!, para atacar a campanha do Burger King para celebrar o Dia do Orgulho LGBTQIA+. A campanha aborda filhos de casais da comunidade e como eles lidam com ter dois pais ou duas mães.

O apresentador pediu um boicote à lanchonete e esbravejou: “Vocês não têm filhos, não procriam, não reproduzem. Eu cheguei a seguinte conclusão: vocês precisam de tratamento. Que tara é essa de pegar as crianças do Brasil? Se você quer dar esse rabo, dê, mas não leve as crianças. Preconceito existe e isso nunca vai ser normal para um homem de bem, um homem de família.”

Investigado pela justiça

O apresentador Sikêra Júnior e a Rede TV! agora são investigadas pelo Ministério Público Federal após o apresentador proferir discursos de ódio contra a comunidade LGBTQIA+ no programa ‘Alerta Nacional’ do dia 25 de junho.

“MPF e Nuances pedem que Rede TV! e Sikêra Jr sejam condenados ao pagamento de R$ 10 milhões a título de indenização por danos morais coletivos – valor a ser destinado à estruturação de centros de cidadania LGBTQIA+”, diz a ação civil pública que o órgão assina em conjunto com a associação Nuances, que luta pela a livre expressão sexual.

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