Pessoas com câncer têm taxa de mortalidade por Covid-19 seis vezes maior, diz estudo

Redação Notícias
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Health personnel work at the intensive care unit at the Santa Casa Hospital in Jau, Brazil, Thursday, Jan. 28, 2021. The hospital is operating at full capacity due to COVID-19 and patients need to take turns receiving oxygen. (AP Photo/Andre Penner)
Nesta segunda-feira (8), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu prazo de cinco dias para que o governo federal divulgue, “com base em critérios técnico-científicos”, a ordem de preferência entre os grupos prioritários para a vacinação contra a Covid-19 (Foto: AP Photo/Andre Penner)

Um novo estudo brasileiro mostra que os pacientes oncológicos com Covid-19 têm taxa de mortalidade seis vezes maior do que o índice global, que é de 2,4%. Ou seja, o índice de mortes em pessoas com câncer é de 16,7%. Especialistas da área defendem que este grupo seja prioritário na vacinação contra o coronavírus.

Publicada esta semana no Journal of Clinical Oncology (JCO), a pesquisa foi conduzida por médicos do grupo Oncoclínicas, que identificaram e acompanharam 198 pacientes oncológicos que desenvolveram Covid-19 entre março e julho de 2020. Destes, 33 morreram.

Dentro do grupo de pacientes oncológicos, segundo o estudo, alguns fatores aumentaram o risco de um mau prognóstico, como pacientes idosos tinham maior chance de mortalidade por Covid-19, assim como aqueles com comorbidades anteriores e histórico de tabagismo.

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A maior taxa de mortalidade foi encontrada em pacientes com neoplasias do trato respiratório, principalmente câncer de pulmão metastático, e tumores hematológicos, como linfomas e leucemia. Nesta categoria, o índice de mortes foi de 43,8%.

De acordo com o estudo, diferentes modalidades de terapia contra o câncer, como quimioterapia, terapia hormonal, imunoterapia ou radioterapia, não foram associadas à mortalidade por Covid-19.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil conta com mais de 1,5 milhão de pessoas que dependem de tratamento oncológico, número que tende a aumentar, de acordo com a previsão do Instituto Nacional do Câncer (Inca) de novos 625 mil diagnósticos para 2021.

Prioridade na vacinação

A segunda atualização do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19, do dia 25 de janeiro, reduziu o espectro de pacientes oncológicos contemplados no grupo de comorbidades — antes indicados da forma abrangente como apenas “câncer”.

Nesta segunda-feira (8), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu prazo de cinco dias para que o governo federal divulgue, “com base em critérios técnico-científicos”, a ordem de preferência entre os grupos prioritários para a vacinação contra a Covid-19.

Hoje, fazem parte do grupo de pacientes prioritários, com comorbidades: “indivíduos transplantados de órgão sólido ou de medula óssea; pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses; neoplasias hematológicas”.

“Esse novo estudo é um argumento para a prioridade (em restrições) destas pessoas na vacinação. O paciente oncológico está no grupo prioritário porque, como mostramos, ele tem chance de uma evolução pior da Covid-19” afirmou ao Globo, Bruno Ferrari, fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Oncoclínicas e um dos autores do estudo.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) enviou ao Ministério da Saúde um documento reafirmando a importância da vacinação para os pacientes oncológicos.

“Muitos pacientes vão ficar de fora. Há tratamentos que não são contemplados [pelo Ministério da Saúde], ou situações específicas, como as de pessoas que ainda não começaram seus tratamentos pois estão aguardando para fazer uma cirurgia”, disse a presidente da SBOC, Clarissa Mathias, ao Globo

“Outra questão é que a pessoa vai ter que levar alguma comprovação e será complicado para o agente no posto de vacinação resolver cada caso”, concluiu.