Pesquisa revela que 41% dos brasileiros têm amigos LGBTQIA+, e igreja ainda é um local de pouca convivência

Pesquisa realizada entre brasileiros mostrou que a proximidade com pessoas LGBTQIA+ acontece majoritariamente no círculo de amizades (41%) e nas redes sociais (37%). O levantamento chama atenção, porém, ao analisar que, entre os entrevistados, 18% afirmam não conviver com pessoas LGBTQIA+. O percentual é superior à quantidade de pessoas que convivem com o grupo em escolas ou faculdades, que somam 16%.

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O levantamento foi realizado pela Ipsos, empresa de pesquisa e de inteligência de mercado, por meio de entrevistas com questionário online, em um painel mantido pela instituição que ouviu 823 pessoas. Cerca de 82% dos respondentes disseram ser heterossexuais e 52% são mulheres. Mais da metade dos respondentes são da região Sudeste.

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A terceira maior situação na qual os brasileiros afirmaram ter convívio com pessoas LGBTQIA+ foi na família (32%); seguido da vizinhança (29%); e do ambiente de trabalho (19%). A igreja é o local de menor convívio com o público, onde apenas 3% dos entrevistados disse manter contato.

— É bastante positivo que haja reconhecimento da presença de pessoas LGBT no círculo familiar por uma proporção tão significativa de pessoas, o que pode indicar também aceitação desta condição. Ao contrário da igreja, que pode ser vista como um lugar mais conservador — explica Hélio Gastaldi, head de pesquisas de opinião pública da Ipsos no Brasil.

Mercado de trabalho

A pesquisa também analisou a visão da população sobre ser liderado por uma pessoa LGBTQIA+. Ao todo, 43% responderam se sentir “muito confortável”; 21% se disseram "confortável"; e outros 20% afirmaram ser “indiferente”.

Outros 4% responderam se sentir “nada confortável”. Entre eles, a maioria é homem, de 40 a 59 anos, e têm o ensino médio completo.

Em relação à percepção sobre como as pessoas LGBTQIA+ são tratadas no ambiente de trabalho, a maioria das pessoas relatou que o tratamento acontece de forma igual no quesito promoção, relacionamento interno e contratação. Cerca de 23% dos respondentes afirmaram, no entanto, que a preferência na hora da contratação é pior para LGBTQIA+, quanto comparada à heterossexuais. No quesito “promoção”, apenas 7% da população considerou que o grupo recebe um tratamento muito melhor.

Entre a parcela que considerou o pior tratamento no mercado de trabalho, a maioria tem o ensino superior completo, é jovem (de 18 a 24 anos) e mulher (36,5%).

— Esta questão traz a oportunidade de evidenciar-se alguma forma de discriminação em relação a pessoas LGBT nas condições de trabalho, apesar de não ocorrer em uma proporção muito crítica. Mas é interessante acrescentar que isso ocorre com incidência um pouco maior dentre as pessoas com maior escolaridade, o que pode indicar que as dificuldades são mais claramente identificadas quanto maior o nível de informação e esclarecimento das pessoas sobre suas condições e direitos — conclui Gastaldi.

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