Personalidade do Ano: quem é Greta Thunberg (e porque você deveria ouvi-la)

Greta Thunberg
Greta Thunberg (Foto: Getty Images)

Entre ser chamada de "pirralha" pelo presidente Jair Bolsonaro e capa da revista Times como a personalidade do ano, Greta Thunberg, de fato, é o nome da vez. A jovem ativista de 16 anos tem cada vez mais demonstrado que os tempos mudaram, e a juventude espera mudanças efetivas para a garantia do seu futuro.

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Parece utópico? Não para Greta. A jovem tem chamado a atenção desde o ano passado, quando começou um protesto até então solitário pelo meio ambiente. A sua ideia era simples: faltar às aulas na sexta-feira como uma forma de manifestação. Ela, então, se sentou em frente ao parlamento sueco com uma placa que dizia "Em greve escolar pelo clima", e por lá ficou.

O evento viralizou na internet e ganhou um nome: "Fridays For Future" ou "sextas-feiras pelo futuro", na tradução livre em português. Ele, claramente, escalonou e cresceu no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

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Este ano, a manifestação aconteceu mais de uma vez - sendo a mais recente no dia 20 de setembro -, e reuniu milhares de pessoas no mundo inteiro em um grande protesto por mudanças na forma como os governos mundiais lidam com a questão do colapso climático.

Com uma determinação impressionante, Greta diz que boa parte da sua determinação vem de uma questão: a jovem tem síndrome de Asperger, ligada ao espectro autista. Comumente, pessoas com essa síndrome têm dificuldades com interações sociais e geram um alto interesse por assuntos específicos - e, para ela, isso é um ponto positivo.

"Tenho síndrome de Asperger e isso significa que meu cérebro funciona de um jeito um pouco diferente. Eu vejo as coisas em preto e branco, com lógica. Se eu não fosse tão estranha, então eu teria me distraído com o jogo social que as pessoas jogam", disse ela para a CNN.

Determinação e ataques diretos

A sueca acabou se tornando uma referência quando o assunto é a luta contra o colapso climático - o que pode ser visto com bons ou maus olhos, dependendo de quem vê. Por um lado, ter uma jovem encabeçando um movimento tão importante é essencial para, talvez, motivar outras pessoas - jovens como ela ou não -, a fazerem algo a respeito do que tem acontecido com o clima do mundo.

Por outro, sabe-se que destacar uma única pessoa como líder de todo um movimento também pode ser problemático, e ainda não sabe as decorrências que isso terá na vida da própria Greta mais para frente. Na realidade, existe uma complicação em jogar a responsabilidade de uma questão coletiva em uma única pessoa.

Qualquer que seja o caso, fato é que por conta do barulho que tem feito, a menina foi cotada até mesmo para O Prêmio Nobel da Paz este ano.

"Vocês roubaram os meus sonhos e infância. Estamos no início de uma extinção em massa, e a única coisa que vocês falam é sobre dinheiro e o conto de fadas de crescimento econômico eterno. Como se atrevem?", disse ela em outro discurso que viralizou na internet e foi manchete no mundo inteiro, durante a conferência da ONU sobre o clima, em setembro deste ano.

Na platéia estavam alguns dos principais nomes da economia e liderança globais., Aliás, por conta do discurso direto e reto, que pede ações imediatas de mudança, Greta tem incomodado - e muito - alguns dos principais nomes das governanças globais. O presidente Jair Bolsonaro foi o mais recente, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já chamou a jovem de "histérica" e diz que sua fala beira o apocalíptico.

Considerando o número de queimadas e desmatamentos que aconteceram na Floresta Amazônica em 2019, o derramamento de óleo no nordeste brasileiro e a falta de ações do governo em resposta, é compreensível que, de fato, os discursos que peçam soluções tenham um tom alarmista.

"Os adultos ficam dizendo: 'devemos dar esperança aos jovens'. Mas eu não quero a sua esperança. Eu não quero que vocês estejam esperançosos. Eu quero que vocês estejam em pânico. Quero que vocês sintam o medo que eu sinto todos os dias. E eu quero que vocês ajam. Quero que ajam como agiriam em uma crise. Quero que vocês ajam como se a casa estivesse pegando fogo, porque está", explicou ela no Fórum Mundial de Davos.

Fato é: Greta tem, realmente, causado furor quando o assunto é o colapso climático que estamos vivendo e pede ações imediatas para que a situação seja, no mínimo, contida. Por isso, a revista Times a elegeu como a Personalidade do Ano em 2019 - e demonstra como, mesmo com tentativas constates de desmoralização, a sua mensagem segue como mais forte e urgente.

Já é sabido que mulheres confiantes geram um senso de ameaça nos homens - afinal, considera-se erroneamente que elas estão descontextualizadas dos seus lugares de fala, sofrem de histerismos causados por mudanças hormonais e tem um único papel a cumprir, o da reprodução.

A partir do momento que surgem com voz firme, confiança e determinação, além de uma mensagem claramente urgente em termos de vivência em sociedade, existe uma tentativa de silenciamento que, pelo visto, não vai funcionar mais.

No fim das contas o que ela busca, assim como qualquer pessoa, é a possibilidade de crescer e a oportunidade de usufruir do mundo "Nós não podemos continuar vivendo como se não houvesse amanhã, porque existe", diz à Times. De fato, existe e, pelo visto, ela não vai parar de lutar por ele tão cedo.