Personagem de Paloma Bernardi "abre os olhos" da atriz sobre a maternidade; entenda

Paloma Bernardi no Prêmio Bibi Ferreira (Foto: Leo Franco/AgNews)
Paloma Bernardi no Prêmio Bibi Ferreira (Foto: Leo Franco/AgNews)

Paloma Bernardi sonha em ser mãe e já se sente preparada para encarar a missão com os pés no chão. Nesta quarta-feira (21), a atriz conversou com a imprensa durante o Prêmio Bibi Ferreira, no Teatro Santander, em São Paulo, onde concorreu na categoria Melhor Atriz pela peça "Terremotos". A trama aborda a maternidade e os seus desafios.

"Depois de tempos pandêmicos, a gente poder voltar com 30 atores no palco, no teatro do Sesi, na Paulista, foi um privilégio muito grande. Essa personagem representa muitas mulheres, né? Fala de transtornos mentais e depressão pré-parto, falta de rede de apoio, todos os conflitos internos dessa mulher foram importantes para mim", diz ela, que mudou sua percepção sobre a maternidade após o trabalho.

                      

"Só intensificou que um dia quero ser mãe. Conversei com algumas mulheres grávidas e entendi que a maternidade não é um mar de rosas. Não tem como romantizar. Sim, é um momento sagrado, um milagre divino, mas a gente tem que ter uma rede de apoio porque a gente pode cair em algumas situações que, poxa, a mãe tá lá ralando, né? O peito dói, a autoestima fica um pouco de lado, a questão profissional. Tem que cuidar da família, cuidar da casa, então precisa ter esse equilíbrio mental"Paloma Bernardi

Na peça, a personagem de Paloma quer tirar a criança e acaba se suicidando. Para ela, interpretar uma mulher com desejos tão diferentes dos seus foi um desafio. "Quero muito ser mãe, então imagina fazer uma personagem que quer tirar a criança, que se suicida, que não tem rede de apoio. É totalmente o oposto do que eu vivo. Foi um grande desafio e acho que esse é o meu maior presente enquanto atriz, poder mergulhar no universo que não é meu e ter esse reconhecimento", valoriza.

Paloma Bernardi em premiação (Foto: Leo Franco/AgNews)
Paloma Bernardi em premiação (Foto: Leo Franco/AgNews)

Saúde mental

Antes mesmo de subir aos palcos com a peça "Terremotos", Paloma Bernardi já vinha dando mais atenção para a sua saúde mental. A atriz conta que a pandemia fez com que ela prestasse mais atenção aos sinais. De lá para cá, ela passou a fazer terapia e até foi atrás da sua constelação familiar.

"A gente precisa cuidar do nosso espírito, do nosso corpo, da nossa alma, se aproximar das pessoas que a gente ama porque a ansiedade pode vir à tona, o pânico pode vir à tona e, às vezes, a gente nem sabe o que está acontecendo na vida de uma pessoa que pode estar sorrindo e por dentro estar com alguma questão", explica.

Paloma interpretou a mulher deprimida por três meses. Para não ser "contaminada" por essa energia negativa, ela conta que desenvolveu estratégias. Fora dos palcos, a atriz se aproximou do que a deixa feliz.

"A gente tem que ter esse controle, né? De não levar pra casa as dores da personagem. A gente empresta o nosso corpo, a nossa alma, as nossas experiências, mas a gente tem que encontrar uma maneira de espairecer, tomar um banho, fazer alguma coisa diferente, tomar um vinho, sair para dançar, porque senão a gente fica muito preso", afirma.