Perseguição é assunto polêmico em estreia de novo filme de Polanski em Veneza

Por Marie-Louise Gumuchian
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Por Marie-Louise Gumuchian

VENEZA, Itália (Reuters) - O novo filme de Roman Polanski "Um Oficial e um Espião", que conta o célebre Caso Dreyfus, na França do século 19, teve estreia no Festival de Cinema de Veneza nesta sexta-feira em meio à polêmica renovada sobre o diretor e sua conhecida condenação por um crime sexual. 

Polanski tentou comparar sua própria situação com a de Alfred Dreyfus, um oficial de artilharia judeu no Exército francês que foi condenado em 1894 por traição e foi deportado para a colônia penal da Ilha do Diabo, na costa atlântica da América do Sul. 

A condenação de Dreyfus foi criticada por supostamente ter sido motivada por anti-semitismo, e o caso dividiu profundamente opiniões na França. Dreyfus foi eventualmente exonerado de sua condenação. 

Polanski, que deixou os Estados Unidos após se declarar culpado em 1977 de ter feito sexo ilegal com uma garota de 13 anos de idade em Los Angeles, disse em notas da produção que estava "familiarizado com o funcionamento do aparato de perseguição mostrado no filme, e isso claramente me inspirou". 

O cineasta franco-polonês não compareceu ao Festival de Veneza, onde o filme de língua francesa é um dos 21 na competição pelo prêmio do Leão de Ouro. O filme está sendo representado por membros do elenco, entre eles a esposa de Polanski, Emmanuelle Seigner, e produtores. 

Organizadores do festival enfrentaram críticas por incluírem o longa no programa, mas se defenderam dizendo que é o filme, e não o homem, que está sendo julgado. 

No início da coletiva de imprensa, onde Seigner, os atores Jean Dujardin e Louis Garrel foram aplaudidos na chegada, o produtor Luca Barbareschi disse que apenas perguntas sobre o filme seriam respondidas. 

"Este não é um tribunal moral", disse. "O passado está no passado, precisamos focar no presente. O filme deve falar por si próprio, o júri deve julgar e o público, se quiser, pode aplaudir". 

Depois de sua condenação, Polanski deixou os Estados Unidos com medo de que um acordo de leniência com procuradores pudesse ser anulado, e com isso ele tivesse de cumprir um longo tempo na prisão. Agora com 86 anos, ele vive na Europa. 

Sua história passou a ser reexaminada com o movimento "Me Too" contra o assédio e os abusos sexuais após acusações contra o megaprodutor de Hollywood Harvey Weinstein, em 2017.