As perguntas que ajudam a descobrir se seu filho sofre de depressão – e o que fazer a respeito

Um novo estudo descobriu que uma em cada quatro meninas de 14 anos está sofrendo de depressão

Esta é uma das coisas mais difíceis que os pais podem enfrentar: ver seu filho sofrendo de problemas de saúde mental, sem saber ao certo o que deu errado ou como é possível ajudá-lo.

Esta é uma situação cada vez mais comum para pais de meninas adolescentes, que veem suas filhas tentando lidar com a pressão de crescer e se encaixar em nossa sociedade.

Nesta semana ficou claro que os problemas de saúde mental entre meninas adolescentes chegaram a um ponto crítico.

Um novo estudo – o maior já realizado – descobriu que uma em cada quatro meninas de 14 anos acredita estar sofrendo de depressão, com as jovens de hoje apresentando uma probabilidade muito maior de passar por problemas emocionais que nunca teriam que enfrentar há 10 anos.

Os pais, muitas vezes, não têm ideia do que suas filhas estão passando, confundindo seu isolamento do convívio familiar ou temperamento exaltado, com crises de adolescente.

24% das meninas de 14 anos participantes do estudo relataram ter níveis altos de sintomas depressivos, mas quando os pais foram questionados sobre suas filhas, apenas 18% descreveram os mesmos sinais. Crédito: Time to Change

Os pesquisadores encontraram “índices preocupantemente altos de depressão” no estudo, que analisou dados de 10 mil adolescentes com datas de nascimento entre 2000 e 2001. Os jovens de 14 anos responderam a um questionário usado para diagnosticar a depressão, perguntando com que frequência eles se sentiam tristes, solitários, se odiavam ou não se sentiam amados.

Praveetha Patalay, da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, autora principal do estudo, disse que um “salto dramático” foi observado no número de adolescentes que sofrem de depressão. “Quando comparamos os resultados às gerações anteriores, observamos problemas cada vez maiores, principalmente no caso das meninas,” disse ela. “A diferença entre os sexos era esperada entre os adolescentes, mas o tamanho da discrepância foi surpreendente”.

No total, 24% das meninas de 14 anos, envolvidas no estudo, relataram altos níveis de sintomas depressivos, mas quando os pais foram questionados sobre suas filhas, apenas 18% descreveram os mesmos sinais.

Emma Saddleton, responsável por uma linha telefônica de ajuda aos pais, mantida pela Young Minds, organização britânica com foco na saúde mental infantil, disse que o serviço recebe cerca de 13 mil chamadas por ano, de pais preocupados com a saúde mental e o bem-estar de suas crianças ou adolescentes.

Como saber se seu filho pode estar sofrendo de depressão

Como saber se seu filho pode estar sofrendo de depressão

Nas últimas duas semanas, estas afirmações poderiam ser consideradas verdadeiras, falsas, ou parcialmente verdadeiras?

Eu me senti triste ou infeliz.

Eu não curti nada.

Eu me senti tão cansado que só fiquei sentado e não fiz nada.

Eu estive muito inquieto.

Eu senti que não valia mais nada.

Eu chorei muito.

Foi difícil pensar de forma apropriada ou me concentrar.

Eu odiei a mim mesmo.

Eu fui uma má pessoa.

Eu me senti solitário.

Eu achei que ninguém me amava de verdade.

Eu achei que nunca conseguiria ser tão bom quanto as outras crianças.

Eu fiz tudo errado.

Some dois pontos para cada resposta “verdadeira” e um ponto para “parcialmente verdadeira”. Uma pontuação igual ou superior a 12 significa que a criança avaliada pode estar sofrendo de depressão.

“As crianças e os jovens podem ser muito bons em esconder seus verdadeiros sentimentos de seus pais, muitas vezes porque se sentem envergonhados ou culpados, e não sabem como começar a falar sobre o assunto e comunicar o que estão sentindo,” explica Emma.

“O mundo virtual se tornou extremamente desgastante para as crianças e adolescentes, mas é desafiador para os pais conseguir monitorar seus filhos em relação à Internet e redes sociais, além da pressão que acompanha isso”.

Emma diz que quando os pais ligam para o serviço telefônico, em busca de conselhos, eles não sabem mais o que fazer, e se culpam por não terem percebido antes o estado de seus filhos.

“Os pais se julgam, com frequência, quando seus filhos estão sofrendo de problemas de saúde mental. Embora esta seja uma reação natural e instintiva, pode causar sentimentos ainda piores tanto nos pais quanto nas crianças, em relação ao que está acontecendo”.

“Ter alguém de confiança com quem conversar e desabafar (um parceiro, amigo ou colega) pode ajudar a diminuir o peso destes sentimentos, e é importante saber que não é vergonha buscar ajuda profissional. A chave é se lembrar de que você não está falhando com seu filho, e de que não precisa enfrentar isso sozinho”.

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Sinais/sintomas aos quais é preciso estar atento
Embora a depressão possa se mostrar de muitas formas diferentes, mudanças significativas no comportamento das crianças podem ser sinais de alerta.

Se elas não querem fazer coisas que antes gostavam de fazer, se não querem encontrar amigos, se estão dormindo mais ou menos do que o normal, se estão comendo mais ou menos do que o normal, ou parecem estar constantemente irritadas ou chateadas, é importante levar isso a sério.

Próximos passos – como iniciar uma conversa e o que fazer a partir dela

Confie nos seus instintos
Muitas vezes os pais, instintivamente, sabem que alguma coisa está errada. Se você está preocupado com a saúde do seu filho, é muito importante conversar com a criança para saber como ela está se sentindo.

Não faça suposições
Ouça o que ela tem a dizer. Assegure-se de que ela saiba que você a ama e está orgulhoso dela, e de que você está ao lado dela.

Pergunte a opinião dela
Pode ser uma boa ideia conversar com a criança sobre o que ela acredita que pode ajudar, já que elas costumam ter boas ideias sobre como resolver seus próprios problemas.

Lembre-se de cuidar de si mesmo também
Se você está preocupado, avalie a possibilidade de conversar com seu médico, com a escola do seu filho, ou com algum serviço de apoio aos pais.

Eleanor Steafel

The Telegraph