8 perguntas que você deve fazer antes de escolher a creche do seu filho

Colaboradores Yahoo Vida e Estilo
(Foto: Getty Images)
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Por Cristiane Capuchinho

A qualidade da educação básica e a possibilidade de matricular seu filho em uma creche é fonte de preocupação da população brasileira. Uma pesquisa de opinião publicada neste mês mostra que a ampliação de vagas e melhora da qualidade de creches é o tema que mais brasileiros consideram que deveria ser prioridade do MEC (Ministério da Educação). 22% dos 1.720 entrevistados em junho de 2019 apontaram o tema como a pauta que deveria ter mais atenção do governo federal.

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A creche é a primeira etapa da educação básica, e as atividades nos três primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças. Um estudo da Fundação Carlos Chagas com creches públicas e privadas de seis capitais brasileiras mostrou que uma boa creche tem impacto positivo na alfabetização das crianças anos mais tarde, mas o impacto só é positivo para unidades de boa qualidade.

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Crianças que frequentaram creches de qualidade tiveram desempenho 12% superior em uma avaliação nacional de alfabetização feita no segundo ano do ensino fundamental em relação aos que não participaram dessa etapa de educação infantil ou estiveram em unidades de baixa qualidade.

E o que é uma creche de boa qualidade? A resposta inclui, entre outras coisas, espaço adequado para as crianças, profissionais com formação adequada e em bom número, e atividades intencionais para o desenvolvimento da criança e uma relação de troca com a família para ampliar o potencial dos pequenos.

“Os pais têm que conhecer o dia a dia da escola, conhecer sua proposta. Devem ser apresentados à programação da unidade, devem saber como os filhos fazem parte daquela instituição, para que aquela instituição serve, o que ela proporciona para as crianças”, indica Maria Thereza Marcilio, coordenadora da ONG Avante Educação e Mobilização Social e membro da Rede Nacional Primeira Infância.

“A escola também precisa saber como é a vida dessa criança em casa para poder atendê-la da melhor maneira e trabalhar seus potenciais”, completa.

Confira alguns itens que pais devem saber sobre a creche de seus filhos para acompanhar a educação infantil.

(Foto: Getty Images)
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1. Qual o nome do professor e/ou do assistente de educação da sala do seu filho? Qual a formação deles?

Por lei, o professor ou auxiliar da creche deve ser formado, ao menos, no ensino médio na modalidade normal. É desejável o curso superior em pedagogia, com especialização em educação infantil.

É importante que os dois profissionais sejam responsáveis pelas atividades de cuidar e de educar da criança.

“Educar e cuidar, nesta idade, não podem ser separados. O momento de cuidar, de trocar uma fralda, de dar um banho, também é educador. A maneira como o adulto segura, os movimentos, a maneira como o adulto se dirige à criança é muito educativo. Se tem dois adultos, os dois adultos deveriam poder fazer a mesma coisa. E os dois adultos devem ser procurados pelos pais para saber sobre seu filho”, indica Maria Thereza.

2. Quantas crianças estão na sala dele e quantos são os adultos responsáveis?

Segundo o MEC, deve haver, no mínimo, um professor para cada grupo de até oito crianças de 0 a 2 anos. Se forem crianças de 3 anos, a proporção é de um adulto a cada 15 crianças.

“As interações de qualidade que promovem a aprendizagem ocorrem quando os adultos são presentes, interessados, mediadores. Não dá para fazer isso se não tiver a quantidade adequada de crianças.”

3. Qual é a proposta da escola para o desenvolvimento do seu filho?

O projeto pedagógico é o plano que explicita as concepções e práticas que vão basear as atividades criadas para a aprendizagem das crianças. O projeto deve seguir a Base Nacional Comum Curricular e deve ser elaborado com participação de todos os profissionais da educação infantil.

A Base Nacional Comum Curricular indica seis campos de experiência fundamentais para a educação infantil: conviver, brincar, participar, explorar, expressar-se e conhecer-se.

4. Existe um espaço para descanso separado? As crianças dormem onde?

É importante que as crianças tenham um espaço separado para descanso para que elas possam repousar no momento em que sentirem vontade, sem depender de que todas as crianças façam a mesma coisa.

Bebês até oito meses devem ter berço, as outras crianças podem descansar em colchonetes distribuídos no chão ou camas empilháveis.

(Foto: Getty Images)
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5. Nos espaços internos, as crianças têm acesso a brinquedos e livros na altura delas? Existe área externa em que as crianças podem brincar?

O ideal é que a creche tenha um espaço externo em que as crianças possam se movimentar, brincar e, se possível, ter contato com a natureza.

"As crianças precisam de espaço para andar, para ter contato com a natureza, para ter contato com outras, engatinhar, poder correr. Claro, com segurança", enfatiza Maria Thereza.

Nas áreas internas, é importante que haja à disposição brinquedos e livros, para que as crianças possam manipular, carregar e fantasiar.

6. Você avisa os educadores quando seu filho esteve doente ou se vai faltar à creche por alguma razão?

A creche é um espaço de encontro e troca social, assim como um lugar de atividades intencionais e mediadas para o desenvolvimento das crianças. Saber que o seu filho esteve doente, pode ajudar os professores a conhecer melhor sobre a vida do seu filho assim como prevenir os pais de outras crianças sobre um possível contágio.

Da mesma maneira, saber a rotina das crianças ou quando elas não estarão na creche ajuda os professores a planejar melhor atividades em grupo para os pequenos.

Maria Thereza sublinha ainda que a escola deve ter uma ficha do aluno completa. “Tem que ser quase uma cartografia do espaço da criança, quais são os hábitos que a criança que ela tem, os espaços que ela frequenta. Assim, a escola e as famílias podem desenvolver um trabalho conjunto para essa criança.”

7. Quais os pontos em que o desenvolvimento do seu filho vai bem? Em que áreas ele pode avançar mais? Quais atividades em casa podem ajudá-lo?

(Foto: Getty Images)
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Além da ficha completa sobre o aluno, os professores devem fazer relatórios de desenvolvimento de cada criança. Este relatório deve estar disponível para consulta ao longo de todo o ano escolar, mas costuma ser apresentado aos pais duas vezes por ano.

O desenvolvimento motor, cognitivo e emocional da criança é um trabalho conjunto entre a escola e os pais. Uma criança com desenvolvimento motor mais lento, por exemplo, pode ser apresentada a atividades em casa que a ajudem nisso, complementando o trabalho escolar. Para isso, pais e professores devem ter uma relação de proximidade.

“A escola deve ser um centro formador para as crianças e também para os pais. Então se o pai tem dúvidas sobre como pode ajudar o filho, o que pode fazer, ele deve recorrer aos profissionais de educação para uma conversa”, indica Maria Thereza.

Se a escola não tem o hábito de fazer reuniões ou conversas sobre o desenvolvimento das crianças, os pais podem propor a criação de grupos de conversa ou eventos para esse momento de troca.

8. A escola tem associação de pais e mestres, grupos de pais ou espaços de participação e interação entre pais, professores e gestores escolares?

Em unidades públicas, deve haver conselhos com participação de pais, professores e funcionários. Este grupo deve servir para organizar a participação de pais dentro dos assuntos da escola, acompanhar as tomadas de decisão, as atividades de planejamento e até mesmo o orçamento da escola. O conselho serve também para fazer reivindicações ou propostas para a escola.

Em creches privadas, nem sempre existem entidades de participação. No entanto, grupos informais podem ajudar a troca entre pais e com os profissionais da escola. “O importante é que seja um espaço de diálogo, para que pais e professores tenham espaço para falar e momento de ouvir.”

Fontes: Maria Thereza Marcilio, da ONG Avante, Parâmetros Nacionais de Qualidade da Educação Infantil, Monitoramento do uso dos Indicadores da Qualidade na Educação Infantil e Critérios para um Atendimento em Creches que Respeite os Direitos Fundamentais das Crianças, do Ministério da Educação.