Perfumes para região íntima, como o de Anitta, não são recomendados por médicos

*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL. 19/05/2019. Palco
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL. 19/05/2019. Palco

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Nesta quinta-feira (28), a cantora Anitta anunciou por meio das suas redes sociais o lançamento de um perfume unissex para a região íntima. Batizado de Puzzy, o produto estará disponível em três fragrâncias e, de acordo com a cantora, tem como objetivo proporcionar bem-estar e qualidade de vida sexual.

Especialistas ouvidos pela reportagem, porém, não recomendam o uso de desodorantes ou perfumes para genitálias.

A ginecologista Amanda Lino, da clínica Neo Vita, em São Paulo, explica que há dois problemas ligados a cosméticos íntimos, sendo o primeiro relacionado à regulação da flora vaginal. Isso ocorre porque esse ambiente possui uma das principais formas de proteção contra infecções: o pH.

"Ele [o pH] é ligeiramente ácido. E é exatamente essa acidez que protege e inibe a proliferação de bactérias. Quando usamos um cosmético nessa região, pode ocorrer um desbalanceamento da flora, que leva à perda desse mecanismo de proteção", alerta Lino.

Por meio da assessoria, a Cimed, farmacêutica responsável pelo desenvolvimento do Puzzy, informou que o perfume foi formulado com o pH equilibrado e compatível com a região íntima externa, de modo a não interferir nas condições do pH vaginal natural.

Segundo a empresa, foram realizados estudos que comprovaram que a flora vaginal não é alterada durante o uso do produto, além de ser ginecologicamente e dermatologicamente testado.

A Cimed também afirma que o processo de desenvolvimento durou cerca de um ano, quando realizaram estudos clínicos que confirmaram a segurança de uso do produto. O Puzzy possui aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

De acordo com a ginecologista Lino, o outro problema está ligado ao desejo de acobertar o odor natural da vagina. A profissional relata que essa é uma queixa que recebe com frequência nos atendimentos do dia a dia.

"É uma questão que vem acompanhada de uma carga mais cultural porque, infelizmente, a sexualidade feminina ainda tem uma série de tabus. Para muitas mulheres, a vagina é um órgão sujo. Temos que lembrar às pacientes que esse órgão tem um odor característico e normal", diz. "Vagina tem cheiro de vagina, não de rosa".

Mas se uma paciente desejar alterar esse cheiro, há algum outro risco para a saúde? Sim.

O odor também é uma maneira de os médicos identificarem se há alguma infecção no local, já que doenças como candidíase e vaginose possuem um cheiro específico. Ao utilizar este produto o diagnóstico pode ser mais difícil.

Sabonetes íntimos também não são recomendados Apesar de perfumes íntimos ainda não serem populares no Brasil, os sabonetes íntimos são comuns. Especialistas alertam que eles também não são recomendados para a higiene vaginal devido ao risco de alteração do pH.

"Além disso, a vagina tem um mecanismo de autorregulação e autolimpeza. O sabonete íntimo pode até ser utilizado na região da vulva, mas na vagina, que é a parte de dentro, não recomendamos passar nada", afirma Lino.

QUANDO O CHEIRO DA VAGINA DEVE PREOCUPAR

A ginecologista reforça que a vagina tem um odor natural, mas a alteração é um sinal de alerta para buscar ajuda profissional.

A candidíase, por exemplo, é caracterizada por um odor parecido com o de água sanitária. Já a vaginose bacteriana, além da mudança no cheiro, vem acompanhada de um corrimento branco pastoso.

"Secreções diferentes, sangramento depois da relação sexual, coceira, dor... Tudo isso, acompanhado do odor diferente, chama nossa atenção. Nesses casos, a paciente precisa procurar um médico", finaliza a profissional.

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