Redes sociais: por que seguimos perfis que nos fazem mal?

Ava Freitas
·2 minuto de leitura
Flat 3d isometric businessman push his head into smartphone. Smartphone addiction concept.
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Você decide conferir o feed do Facebook e do Instagram. Depois de alguns minutos – ou muitos –, sente-se meio incomodado, angustiado e não sabe bem o porquê. Provavelmente, esbarrou com algum perfil que cutuca uma situação não resolvida para você.

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Imagine que você se considere acima do peso e não esteja conseguindo pôr em prática o plano de fazer dieta nem de se exercitar. Nas redes sociais, entre os perfis que segue, estão influenciadores fitness. Toda vez que rola o feed e tromba com um deles, sente aquele aperto no peito. E por que não deixa de segui-los?

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“Inconscientemente, a pessoa busca situações que a coloquem diante das questões que ela ainda não resolveu e que por isso a desequilibram”, afirma a historiadora e psicanalista Selma Pato Vila.

Busca pelo equilíbrio

Selma cita conceito do médico neurologista e psiquiatra Sigmund Freud (1856 – 1939): a tendência do ser humano é sempre buscar um estado de equilíbrio. Expor-se às situações incômodas é uma maneira que o inconsciente criou para lidar com o quê o está tirando do eixo.

A psicanalista diz que a pessoa pode conseguir encontrar no mal-estar gerado pelas redes sociais o impulso para mudar ou seguir se expondo a ele, sem, no entanto, resolver o conflito.

“A gente não sabe no que vai dar. Pode ser que o indivíduo encontre fôlego para começar a ser exercitar ou entenda que a prioridade da sua vida não é essa. Muita coisa pode se passar pela cabeça do ser humano”, diz Selma.

Equilíbrio masoquista

A especialista fala ainda que pode ocorrer um equilíbrio masoquista: a pessoa não muda nada na vida prática e segue se expondo a esses perfis desconfortáveis.

Ainda pegando carona na explicação freudiana, Selma relembra o que o psiquiatra constatou sobre os soldados no fim da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). “Freud observou que eles tinham sonhos violentíssimos repetidamente. E por quê? Para tentar consertar o desequilíbrio vivido com os horrores presenciados no campo de batalha.”

Se você está se perguntando se, para resolver todo o drama, bastaria dar “unfolow”, Selma responde que não necessariamente. Pense naquela pessoa que segue o ex-namorado ou a ex-namorada. “Talvez sim, talvez não. Talvez, ela simplesmente recalque. Coloque o incômodo lá dentro do inconsciente, escondido até dela mesma”, explica a especialista.

Na real, ainda tendo como norte os ensinamentos de Freud, o ser humano nunca vai eliminar completamente o conflito da própria vida, embora sempre busque o equilíbrio, a constância. “Temos momentos de felicidade, para dar conta do conflito da melhor maneira possível”, diz Selma. Se está difícil para você, análise – ou terapia – é um caminho possível e saudável.

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