Pequenos lojistas refutam alta em vendas dos shoppings no Natal: "fake news"

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • A divulgação de um suposto crescimento forte nas vendas dos shoppings centers durante o Natal, feita pela Alshop, desagradou uma parte dos varejistas.

  • Entidade que rebateu pesquisa, a Ablos, reúne lojas de pequeno e médio porte; grupo diz que dados sobre vendas são “fake news”e têm gerado “desconforto e revolta entre os lojistas”.

A Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos) encaminhou uma nota à imprensa nesse sábado (28) por meio da qual "contesta e repudia" os dados publicados nesta semana pela Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), que, esta semana, apontou uma alta de 9,5% nas vendas do Natal de 2019 em comparação com a mesma data comemorativa de 2018.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, a divulgação de um suposto crescimento forte nas vendas dos shoppings centers durante o Natal desagradou uma parte dos varejistas. Eles alegam não se sentir representados pelos números divulgados pela Alshop, e o caso acabou expondo uma briga no setor.

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“A pesquisa da Alshop é falsa, é fake news. Ela está gerando desconforto e revolta entre os lojistas”, declarou Tito Bessa Júnior, presidente da Ablos e da rede de moda TNG.

Bessa Júnior continuou: “Nós nos preparamos para termos um Natal melhor do que nos anos anteriores, mas isso não aconteceu, infelizmente", lamentou.

Embora a associação não tenha uma pesquisa própria para apurar o desempenho das vendas, ela fez uma sondagem com seus associados. De acordo com Bessa Júnior, na iniciativa, 70% dos ouvidos afirmaram que as vendas natalinas de 2019 foram iguais ou piores do que as de 2018; apenas 30% disseram que as vendas melhoraram.

A Ablos reúne atualmente lojas de pequeno e médio porte, conhecidas no setor de shopping centers como satélites, em contraposição às varejistas que ocupam áreas grandes, também chamadas de âncoras.

Entre os 100 associados da Ablos estão TNG, Barred's e M. Officer (vestuário), Doctor Feet (serviços), Casa do Pão de Queijo (alimentação) e SideWalk (calçados); eles respondem por 60% das lojas dos shoppings no país.

A Ablos foi fundada no começo deste ano após um racha com a Alshop. Bessa Júnior explicou que os lojistas de porte menor não se sentiam representados pelo trabalho da Alshop, sobretudo nas negociações com os donos de shoppings, em questões envolvendo pagamento de aluguel, condomínio e fundos promocionais.

Respondendo as críticas da Ablos, a Alshop, que existe há 25 anos e reúne 54 mil lojistas, negou a falta de representatividade.

“A Alshop tem credibilidade fruto dos resultados de um trabalho focado em geração de negócios, atuando em prol do varejo com importantes conquistas ao longo do tempo”, diz a entidade, por sua assessoria.

A Alshop informou ainda que sua pesquisa é feita por amostragem e explicou que o crescimento de 9,5% nas vendas de Natal é nominal, sem descontar a inflação. Ela acrescentou que as principais entidades de representação do comércio apresentam dados que corroboram sua estatística.

Também mencionado nas críticas da Ablos, o Ibope Inteligência informou que não participa da apuração dos dados de vendas da Alshop, embora acompanhe o fluxo de visitantes nos empreendimentos e monitore novos shoppings que estão prestes a ser lançados. O instituto foi citado na entrevista coletiva à imprensa feita pela Alshop no dia 26.

Ao Estadão, também o diretor do Ibope Inteligência, Fábio Caldas, informou ter ficado surpreso com o forte crescimento das vendas apontado pela pesquisa da Alshop. Por outro lado, ponderou que não conhece a metodologia da entidade para fazer uma análise detalhada.

"Olhando de modo geral, houve de fato uma melhora no varejo. O fluxo nos shoppings melhorou em quase todos os meses, mas nada de forma absurda”, avaliou Caldas.

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) —que representa os donos dos empreendimentos— ainda não divulgou os resultados da sua pesquisa, mas a expectativa divulgada no início do mês era de uma alta de 10% nas vendas do Natal.