Paulo Nobre quebra silêncio, elege seus ídolos nesta década e fala da paixão pelo Palmeiras

Paulo Nobre comemorando o título do Paulistão de 1993 na Avenida Paulista, seu primeiro como torcedor (Arquivo pessoal)

Paulo Nobre nunca foi de dar muitas entrevistas. Nem como presidente do Palmeiras, muito menos depois de deixar o cargo de principal mandatário alviverde, onde ficou de janeiro de 2013 a dezembro de 2016. O Blog fez algumas tentativas para ouvir o advogado, piloto de rali e empresário bem-sucedido. E a insistência rendeu um bate-papo exclusivo sobre sua vida como torcedor palmeirense. Sem assuntos ligados à política ou ao período em que presidiu o Palestra Itália. E surgiram respostas bem legais, como todos os seus ídolos década a década, sua coleção de porcos, a maior vitória e a pior derrota, o relacionamento com uma corintiana, suas maiores loucuras pelo Verdão...

BLOG: Quais foram seus ídolos no Palmeiras, década a década?
PAULO NOBRE: Na infância, eu tive vários ídolos. Leão, que me fez virar palmeirense, Jorge Mendonça, Toninho Catarina! Mas, se for pegar um ídolo por década, sendo que meu primeiro jogo no estádio foi em 1977... Toninho nos anos 70; Jorginho em 80; Evair, o maior jogador de todos os tempos, em 90; Marcão nos anos 2000; e na atual década diria que sou fã da esmagadora maioria dos jogadores com quem trabalhei e elegeria o Fernando Prass e o Dudu, para representar todos eles.

Você já revelou que tem uma coleção de porcos. Quantos exemplares tem hoje?
Comecei minha coleção em 1987, ano seguinte ao Palmeiras assumir o porco como segundo mascote, e hoje estou com mais de dois mil. Mas já faz algum tempo que parei de contar. Preciso catalogar direito, porque a coleção merece.

Qual foi sua maior loucura pelo Palmeiras?
Loucura? Difícil avaliar, uma vez que nada pelo Palmeiras eu considero loucura! Fazer tatuagem (no braço, com as inscrições: S.E.P., Vincit qui se vincit; e um porco na batata da perna) e ir até o Japão para ver um jogo (contra o Manchester United, na final do Mundial Interclubes de 1999) podem ser consideradas loucuras por alguns, mas absolutamente normais para muitos! Então, diria que, dado meu amor e a importância que essa instituição teve para mim a vida toda, talvez a maior loucura tenha sido aceitar o desafio e a responsabilidade em presidi-la, pois caso falhasse não me perdoaria até o final da vida!

Qual sua maior alegria como torcedor palmeirense?
Indiscutivelmente, no dia 12 de junho de 1993, quando vi o Palmeiras campeão pela primeira vez (título do Paulistão)! Depois do banho de água fria da final de 1978 e, pior ainda, a de 1986... depois XV de Jaú, Bragantino, Ferroviária nos barrarem antes de uma final, ter a chance contra seu maior rival, tendo massacrado no primeiro jogo, mas perdido. Bastava um jogo e uma prorrogação para um sonho se realizar e o Palmeiras massacrou no segundo jogo e se tornou campeão! Mas tudo parecia tão perfeito que, depois de comemorar a noite toda, tive medo de dormir, acordar e ter sido apenas um sonho!

Já que lembrou da maior alegria, conte sua maior tristeza por causa do Palmeiras.
Acho que foi em 1986, quando perdemos para a Inter de Limeira (na final do Paulistão). Parecia que tinha morrido um ente querido. Sabe quando você tem 18 anos e nunca viu seu time campeão? Sabe quando finalmente você percebe que chegou a sua vez de ser feliz, ou seja, contra um time pequeno,com todo respeito que a Inter de Limeira mereça, mas com dois jogos no Morumbi, o Palmeiras venceria! Ainda mais depois da semifinal épica com nosso maior rival. Jogo em que aconteceu o gol que eu mais comemorei na vida, o primeiro do Mirandinha, não tinha como dar errado. Mas no futebol não existe certeza de nada... e o Palmeiras perdeu aquela final!

Mesmo não indo mais ao Allianz Parque depois de deixar a presidência, você continua assistindo aos jogos do Verdão?
Assisto praticamente a todos os jogos, estando aqui no Brasil ou quando estou em rali. O problema, as vezes, é o fuso horário que impossibilita!

E como é o Paulo Nobre na frente da TV?
Ah, como qualquer outro palmeirense! Xingo o juiz, xingo o bandeira, agora dou risada para não chorar as vezes com o VAR, espraguejo o adversário outras vezes, e nem sempre consigo ficar sentado assistindo. Mas acaba o jogo, desligo. E não tenho costume de assistir a programas de esportes na TV.

Como um torcedor que conhece vários estádios do país, quais os cinco mais bonitos?
O Allianz Parque é lindo. Gostei da Fonte Nova. O Mané Garrincha é bem bonito, assim como a Arena da Baixada. E os dois de Porto Alegre também. De uma maneira geral, as novas arenas são bem legais, pena que muitas feitas praticamente para apenas pouquíssimos jogos da Copa. São lindas, mas custaram um preço inexplicavelmente caro e em praças onde o futebol não justificava.

Escale seu Palmeiras ideal de 1 a 11.
Nossa, difícil essa. Dos que vi jogar: Marcos; Cafu, Luís Pereira, Mina e Roberto Carlos; César Sampaio, Jorge Mendonça e Alex, Jorginho, Evair e Rivaldo. O técnico: Felipão. Mas fácil fácil pensei em mais três jogadores pra cada posição e técnicos! Quase 45 anos vendo o Palmeiras!

Você já se relacionou com alguma mulher não palmeirense?
Opa, corintiana, com o pai e o irmão da Gaviões! Virou palmeirense, é claro. Torceu para o Palmeiras em 1993, para desespero da família.

Você continua pilotando pela Palmeirinha Rally?
Sim, a Palmeirinha Rally é minha equipe que hoje conta com os serviços da MotorSport Italia, para correr o Campeonato Mundial de Rally. Para quem se interessar, temos um Instagram @palmeirinharally e lá só falamos de rali. Não se confunda com o meu Instagram pessoal: @paulonobrepalmeirense