Paulista reforçará canadenses no beisebol da MLB

(Foto: Alexandre de Jesus / EPTV)

Um menino que conheceu o beisebol aos dez anos, acompanhando o pai Edson, um produtor rural, que praticava o esporte. Quatro anos mais tarde, era atleta de seleção. É atual campeão adulto da Taça Brasil, torneio nacional mais conceituado. Seu nome é Rafael Ohashi, de 17 anos, natural de Mogi Guaçu, no interior paulista. É o mais novo reforço do Toronto Blue Jays, franquia da Major League Baseball (sigla em inglês MLB) que organiza a competição nos Estados Unidos. Atua como pitcher (arremessador).

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Prodígio, o rapaz não revela detalhes do contrato com a equipe que tem no histórico dois títulos da competição constituída por World Series (1992 e 1993). Mas fontes ligadas ao esporte estimam algo em torno de US$ 10 mil.

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Na vitoriosa equipe do uniforme azul, ele terá como companheiro outro arremessador brazuca. O também paulista Eric Pardinho, que há dois anos assinou com o clube da América da Norte ganhando bônus de US$1,5 milhão. Negociações desta natureza assemelham-se a contratos de ‘boleiros’ que deixam o Brasil e vão atuar por times de futebol europeus. Mas a comparação é apenas parâmetro para mostrar o prestígio da modalidade, já que no futebol as transações com atletas representam valores de cifras estratosféricas.

Ohashi ganhou espaço pelo trabalho dedicado na Colônia Tozan, local que acolhia atletas de beisebol e softbol. Sediou a primeira competição de beisebol no país em 1960 e fica em Campinas. O local constitui-se em uma Associação Cultural e Assistencial nipo-brasileira. No entanto, o time pelo qual Rafa atuava encerrou as atividades. Então teve de mudar-se para Atibaia, onde defenderia o conjunto da cidade e com o qual seria campeão.

De olho futuro, participa em Ibiúna das atividades no Centro de Treinamento Yakult, parceria entre a multinacional e a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol. O CT abriga seletiva mantida pela academia MLB.

Nas ‘peneiras’ deste ano foram reunidos cerca de 60 meninos vindos de todo o Brasil, mas em especial do interior paulista, onde há atletas de ascendência oriental, os filhos de imigrantes que vivem na região. Ohashi foi um dos escolhidos pelo representante da equipe canadense. O CT existe há duas décadas, mas a seletiva está na quarta temporada.

Rafael terá grande oportunidade. A mesma que já havia conquistado o primeiro brasileiro a competir na liga dos EUA. O catcher (receptor que fica agachado) de Mogi das Cruzes, Yan Gomes, hoje aos 32 anos, e sem time.

Mas o caminho é extenso a percorrer: desde o estágio com passagem pelas equipes de base na Republicana Dominicana. Terá degraus a subir nas ligas: Classe A (curta), Classe A, Classe A Avançada, Double A e Triple A até o topo, com a MLB.

Além do destaque que a liga dos EUA proporciona, o beisebol é uma modalidade que ganhará ainda maior visibilidade. Isto porque ano que vem volta a ser modalidade olímpica com a disputa nos jogos do Japão. O esporte integrou o megaevento pela última na olimpíada de 2008 em Pequim, na China. Serão seis países por modalidade e o Japão estará em ambas. Os brasileiros não conseguiram classificação. 

Curiosidade e história

Na MLB, um shutout (conhecido por ShO ou SHO) se refere ao movimento em que somente um arremessador joga uma partida completa e não permite ao time adversário anotar nenhuma corrida. Se dois ou mais arremessadores se combinam para completar o jogo, nenhum arremessador é recompensado com um shutout em suas estatísticas, embora o time em si possa ser citado como tendo conseguido um "shutout".

O norte-americano Walter Johnson é o líder em todos os tempos em shutouts, com 110.  Atuou 21 anos na MLB pelo Washington Senadores e depois passou a gerente do Cleveland Indians. Sua altura era 1,85 cm e ficou marcado ainda pelos dois apelidos “Big Train” e “Barney”.

Agora, mais detalhes da jornada que Rafael Ohashi percorrerá até a MLB:

Yahoo Esportes - Bem, você terá estágio antes de ir à MLB, uma espécie de passagem em equipes B. Como será?

Rafael Ohashi - Primeiro ficarei na República Dominicana já custeado pelos organizadores. Eles (da MLB) me levarão depois de um mês para os Estados Unidos. Serão os primeiro passos de adaptação nas categorias chamadas de base. E depois no grupo principal. Apesar de ser menor de idade, meu pai não me acompanhará. Tudo porque há grande suporte de vários managers, ou gerentes de carreira. Depois das participações em temporada regular, ai sim poderei retornar ao Brasil para as férias.

Yahoo Esportes - Você mencionou que já conhece alguém na MLB?

Rafael Ohashi - Sim. Tem o Eric Pardinho. Sou amigo dele, fiquei durante um ano com ele na academia da MLB em Ibiúna (Pardinho já atua no Blue Jays).

Yahoo Esportes - Como foi o contato para jogar na MLB?

Rafael Ohashi - Os representantes da MLB vem para o Brasil. Estava atuando em Ibiúna. Eles (olheiros) viram como era meu desempenho no jogo e nos treinos, a parte física. Então, os observadores do Toronto (Blue Jays) gostaram das minhas características e a posição que atuo. Ai recebi a proposta há alguns meses e foi fechado contrato para o trabalho ano que vem.

Yahoo Esportes - Poderia falar de sua posição?

 Rafael Oashi - Sou arremessador. É uma posição estratégica na qual o objetivo são jogar strikes, tentando sempre eliminar o rebatedor.

Yahoo Esportes - Você comentou que as partidas de beisebol exigem muito equilíbrio emocional. O que a modalidade ensina?

Rafael Ohashi - Sim, a partida tem bastante tensão, pois uma jogada pode modificar toda a atuação da equipe no jogo. É um esporte de alto rendimento e há relacionamento de muita convivência interpessoal, algo que te ensina respeito. E principalmente ser humano melhor.

Yahoo Esportes - Além da mente, o esporte precisa bom preparo físico. Você já sofreu lesões?

Rafael Ohashi - Sim, sempre treino muito. Já sofri lesões claro, mas me cuido bastante para modalidade exigente. 

Yahoo Esportes – Você tem convicção religiosa, ou segue algo, por exemplo?

Rafael Ohashi - Sou cristão e isto independe em ter alguma religião.

Yahoo Esportes - Você pode citar quais países melhor praticam o esporte?

Rafael Ohashi - Os Estados Unidos, o Japão, República Dominicana. Coréia, China Taipei e Venezuela são muito populares.

Yahoo Esportes - Um grande jogador também tem ídolos. Quais são os seus? Brasileiros, ou do exterior?

Rafael Ohashi - Falo sempre dos arremessadores: o Thyago Vieira, brasileiro que estava na (MLB) e foi para a NPB (Nippon Professional Baseball, a principal liga do Japão). E o japonês Shohei Ohtani, um arremessador do Los Angeles Angels. Ele disputou a liga do Japão e depois passou para MLB.

Yahoo Esportes - Quais são seus títulos?

Rafael Ohashi – Fui campeão paulista na categoria sub-14, título do torneio Seattle Mariners pelo sub-18, campeão da taça dos clubes sub-18 e agora este ano conquistei a Taça Brasil categoria adulta.

Yahoo Esportes - Você terá dedicação total lá na MLB, mas gostaria de fazer um curso superior se tivesse oportunidade?

Rafael Ohashi - Tenho o segundo grau, mas se tivesse disponibilidade de tempo me interesso por odontologia.

Yahoo Esportes - Para finalizar, poderia nos citar um hobby?

Rafael Ohashi – Tenho. Sou um garoto normal. Fora de campo tenho amigos e gosto de sair com eles.

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