Passaporte da vacina da UE pode levar meses, segundo memorando

Nikos Chrysoloras
·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- A União Europeia ainda está meses distante da emissão dos certificados de imunidade contra a Covid-19, o que aumenta o risco de outra temporada de turismo perdida para os setores de aviação e hospitalidade do bloco.

O trabalho técnico em uma plataforma digital para autenticar o estado de saúde dos viajantes pode levar de três a quatro meses, de acordo com nota distribuída às delegações nacionais em Bruxelas na terça-feira. Além disso, existem obstáculos legais, o desafio de chegar a um acordo sobre o escopo do programa e resolver questões médicas espinhosas.

O sistema em desenvolvimento pela Comissão Europeia confirmaria que os portadores recentemente testaram negativo, foram totalmente vacinados ou se recuperaram do coronavírus e, portanto, são considerados imunes.

Mas os estados membros da UE estão em desacordo sobre o uso dos “certificados de status”. Economias dependentes do turismo como a Grécia pressionam por uma introdução rápida para permitir o retorno das viagens e outras atividades como comer em restaurantes, pelo menos para um segmento da população. França e Bélgica têm resistido, citando questões como privacidade e justiça.

Crise

Companhias aéreas e hotéis também pedem o alívio das restrições que se tornaram ainda rigorosas nos últimos meses, mesmo com o avanço da vacinação. Na semana passada, a Associação Internacional de Transporte Aéreo disse que companhias aéreas podem queimar US$ 95 bilhões de caixa neste ano, o dobro da previsão anterior, enquanto o tráfego de passageiros pode ser limitado a 30% dos níveis pré-pandemia.

“Testes, apoiados por aplicativos digitais, e rastreamento de contato são todos parte da solução”, disse na semana passada Gloria Guevara, presidente do Conselho Mundial de Viagens e Turismo. O grupo abrange hotéis e companhias aéreas, bem como aeroportos, operadoras de turismo e empresas como cruzeiros, locadoras de veículos e agências de viagens.

A UE tem trabalhado em aspectos técnicos do certificado com a Organização da Aviação Civil Internacional e com a Organização Mundial da Saúde.

O memorando visto pela Bloomberg pede que os estados membros do bloco forneçam feedback antes que a comissão apresente uma proposta legislativa no final deste mês. Entre as questões que ainda precisam ser resolvidas está se os certificados serão usados para facilitar viagens dentro da UE e o que isso significará para deslocamentos fora do bloco.

Um risco para a UE é que membros dependentes do turismo fiquem impacientes e façam seus próprios acordos bilaterais com países fora do bloco, pondo em risco a unidade. No mês passado, Grécia e Israel fecharam um acordo sobre reconhecimento mútuo de vacinação. A Grécia também está em negociações com o Reino Unido, EUA e Rússia, “com vários graus de progresso”, disse na semana passada. o ministro grego do Turismo, Harry Theoharis.

“Claro que esperamos que a UE possa trabalhar em conjunto e eliminar a necessidade de discussões e acordos bilaterais”, disse Theoharis em painel sobre viagens da Bloomberg.

O bloco também precisa estabelecer uma abordagem comum para “prova de recuperação” da Covid, de acordo com o memorando datado de 2 de março. Não está claro por quanto tempo uma pessoa que sobreviveu à doença está imune à reinfecção e se o organismo será resistente a novas variantes do vírus.

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