Passagem de Linn da Quebrada no "BBB22" não pode ser marcada pela violência que atinge travestis negras

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Linn da Quebrada está no "BBB 22" (Foto: Reprodução/Instagram)

O elenco do "BBB 22" ficou completo na tarde da última quinta-feira (20) com a chegada do ator Arthur Aguiar, da influenciadora digital Jade Picon e da atriz e cantora Linn da Quebrada.

Após testarem positivo para covid-19, a chegada dos três participantes foi adiada e só hoje o time ficou completo. A entrada de Linn foi especialmente celebrada nas redes sociais, inclusive por Elza Soares que declarou sua torcida por Linn em sua conta no Twitter e logo depois morreu - um dia realmente emblemático.

PRIMEIRA TRAVESTI NO BBB

No final de 2021, Linn da Quebrada passou a se chamar oficialmente Lina Pereira dos Santos. Ela é a primeira travesti a participar do BBB. O programa já havia contado com a participação de Ariadna Arantes, mulher trans, que foi a primeira eliminada da 11ª edição.

ANASTÁCIA LIVRE

Linn chegou ao reality vestindo uma camiseta com a imagem de Anastácia Livre, de autoria de Yhuri Cruz, artista visual e escritor carioca. Nessa imagem a figura da escravizada Anastácia é ressignificada. Saem de cena o instrumento de tortura que cala a sua boca, surge na boca da mulher negra um pequeno sorriso. O artista se pronunciou em suas redes sociais:

“Eu e Lina planejamos isso desde o meio de dezembro. Como alcançar os circuitos midiáticos com uma imagem de liberdade radical? Ela me convidou então para gente pensar uma camisa exclusiva para sua entrada no grande reality do Brasil! Muito feliz e orgulhoso por isso. Esse trabalho se chama MONUMENTO À VOZ DE ANASTÁCIA, é sobre monumentalização e massificação da liberdade. Hoje alcançamos a mídia de massa. @linndaquebrada minha torcida é sua, meu amor! Te desejo a serenidade que conversamos horas antes do seu confinamento! Vai com tudo!!!”

SEM MEDO DE USAR A VOZ

A presença de Linn, que é conhecida por sua música e atuação potentes, gera expectativa entre o público. Engajada e comprometida com as lutas sociais, o público espera que a sister use sua voz contra o preconceito e faça oposição as falas problemáticas que aconteceram no programa desde o primeiro dia desta edição.

Ano passado, Linn participou do programa Triangulando, de Thelma Assis (campeã do BBB 20). Debateu com o ex-presidente Lula na ocasião e o questionou incisivamente sobre uma foto em que o político posa com o deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante-BA).

“Hoje nós temos pessoas trans e travestis assumindo cargos políticos. Temos eu, aqui, diante do senhor, discutindo essas questões e falando, inclusive, que é preciso pensar o que significam os vínculos que se estabelecem quando o senhor faz essa foto o o pastor Isidório e o que isso significa diante de todas as ações que ele já estabeleceu perante a nossa comunidade”.

Linn parece não ter medo de conversas difíceis. A artista sabe que esta é uma oportunidade única para comunicar com o público fora de sua bolha, está ciente do desafio e da responsabilidade. Há algumas décadas seria inimaginável alguém como Linn no programa de maior audiência no Brasil. Que sua passagem pelo 'BBB' não seja marcada pelas violências que atingem as travestis negras, mas pela potência que há em sua voz. E essa conversa terá que ser didática, e nós sabemos.